{"id":11167,"date":"2015-11-17T16:32:53","date_gmt":"2015-11-17T16:32:53","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=11167"},"modified":"2015-11-17T16:33:54","modified_gmt":"2015-11-17T16:33:54","slug":"marcha-das-mulheres-negras-nesta-quarta-18-denuncia-abismo-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/marcha-das-mulheres-negras-nesta-quarta-18-denuncia-abismo-social","title":{"rendered":"Marcha das Mulheres Negras nesta quarta (18) denuncia abismo social"},"content":{"rendered":"<p>O racismo e o sexismo podem ser considerados como eixos basilares para a perpetua\u00e7\u00e3o da desigualdade social no Brasil, j\u00e1 que s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es que refletem diretamente na distribui\u00e7\u00e3o de recursos. As mulheres negras vivenciam estas duas experi\u00eancias, criadas a partir da perspectiva da domina\u00e7\u00e3o representada pelo homem branco, heterossexual, com alto poder aquisitivo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cutbrasilia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/IMG-20151116-WA0005.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-17568 alignright\" src=\"http:\/\/www.cutbrasilia.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/IMG-20151116-WA0005-300x300.jpg\" alt=\"IMG-20151116-WA0005\" width=\"290\" height=\"290\" \/><\/a>Pesquisas dos principais institutos brasileiros comprovam a afirmativa em n\u00fameros. E \u00e9 contra essa conjuntura que mulheres de todo o Brasil realizar\u00e3o nesta quarta-feira (18), em Bras\u00edlia, a Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Viol\u00eancia e o Bem Viver. A concentra\u00e7\u00e3o para o ato ser\u00e1 no Gin\u00e1sio Nilson Nelson, \u00e0s 9h, com caminhada at\u00e9 o Congresso Nacional.<\/p>\n<p>A marcha, que acontece no m\u00eas da Consci\u00eancia Negra, tem como objetivos a repercuss\u00e3o da luta contra a opress\u00e3o secular da mulher negra brasileira e a cobran\u00e7a de que o Estado e todos os setores da sociedade tenham respeito e compromisso com a promo\u00e7\u00e3o da equidade racial e de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A marcha \u00e9 precedida por outras atividades. As milhares de manifestantes ocupam o Gin\u00e1sio Nilson Nelson desde o dia 16. No espa\u00e7o, s\u00e3o realizadas v\u00e1rias oficinas e v\u00e1rios debates com a abordagem de temas como viol\u00eancia, sa\u00fade, racismo e etc, todos analisados sob a \u00f3tica de ra\u00e7a e g\u00eanero.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marchadasmulheresnegras.com\/\">Veja a programa\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0completa.<\/p>\n<p>A primeira Marcha das Mulheres Negras foi realizada em 2011, durante o Encontro Ibero Americano do Ano dos Afrodecendentes.<\/p>\n<p><strong>DF no ranking dos que mais matam mulheres negras<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres negras representam 25% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Isso significa que 49 milh\u00f5es pessoas est\u00e3o sujeitas, diariamente, aos ataques racistas e sexistas, e se tornam alvo vivo da desigualdade social.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o as principais atingidas com a viol\u00eancia de g\u00eanero. O Mapa da Viol\u00eancia 2015 tra\u00e7a o perfil preferencial das mulheres v\u00edtimas de homic\u00eddio. Segundo o estudo, de 2003 a 2013, observou-se que as taxas de homic\u00eddio das mulheres brancas caiu de 3,6 para 3,2 por 100 mil, queda de 11,9%; enquanto as taxas entre as mulheres e meninas negras cresceram de 4,5 para 5,4 por 100 mil, aumento de 19,5%. Com isso, a vitimiza\u00e7\u00e3o de negras, que era de 22,9% em 2003, cresce para 66,7% em 2013. Isto significa que:<\/p>\n<p>\u2013 Em 2013 morrem assassinadas, proporcionalmente ao tamanho das respectivas popula\u00e7\u00f5es, 66,7% mais meninas e mulheres negras do que brancas.<\/p>\n<p>\u2013 Houve, nessa d\u00e9cada, um aumento de 190,9% na vitimiza\u00e7\u00e3o de negras.<\/p>\n<p>\u2013 Alguns estados chegam a limites absurdos de vitimiza\u00e7\u00e3o de mulheres negras, como Amap\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco e Distrito Federal, em que os \u00edndices passam de 300%.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a viol\u00eancia dom\u00e9stica. No Brasil 2,4 milh\u00f5es de mulheres s\u00e3o agredidas anualmente, segundo dados da \u00faltima Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do IBGE. As mulheres negras representam 60% desse grupo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser a principal v\u00edtima da viol\u00eancia, a mulher negra tamb\u00e9m est\u00e1 no topo das listas que apontam a pobreza, o analfabetismo, os mais atingidos pelo racismo institucional, os que t\u00eam mais dificuldade de acessar a sa\u00fade e outros servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>De acordo com a professora de ci\u00eancias sociais da Universidade Federal de Londrina, Maria Nilza da Silva, a realidade racista do Brasil induz a um ciclo de preju\u00edzos. \u201cO ingresso no mercado de trabalho do negro ainda crian\u00e7a e a submiss\u00e3o a sal\u00e1rios baix\u00edssimos refor\u00e7am o estigma da inferioridade em que muitos negros vivem\u201d, afirma a docente em estudo sobre a mulher negra.<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), no Brasil, 49,6% dos negros e pardos trabalham informalmente enquanto os brancos representam 36%. As mulheres negras, por sua vez, sofrem com as oportunidades desiguais e dificilmente chegam a cargos de chefia e de destaque nas empresas. Al\u00e9m disso, as mulheres continuam ganhando em torno de 30% a menos que os homens, e essa diferen\u00e7a aumenta ainda mais quando se diz respeito ao sal\u00e1rio das mulheres negras.<\/p>\n<p><strong>Coadjuvantes no mundo sindical<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de serem as mais prejudicadas no mundo do trabalho, com inclus\u00e3o precoce e precarizada nos setores de atua\u00e7\u00e3o profissional, as mulheres negras ainda s\u00e3o coadjuvantes nas dire\u00e7\u00f5es sindicais.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres, principalmente as negras, s\u00e3o oprimidas fora do mundo sindical. E isso acaba refletindo na participa\u00e7\u00e3o delas nessas organiza\u00e7\u00f5es e, consequentemente, refletindo tamb\u00e9m na ocupa\u00e7\u00e3o de cargos estrat\u00e9gicos nas dire\u00e7\u00f5es sindicais. Mas \u00e9 importante observar tamb\u00e9m que o machismo \u00e9 uma realidade nos sindicatos. Por isso, se \u00e9 dif\u00edcil para uma mulher driblar a barreira do preconceito e ser uma l\u00edder sindical, diga l\u00e1 para uma mulher negra\u201d, avalia a secret\u00e1ria de Mulheres da CUT Bras\u00edlia, Izaura Oliveira Santos.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nia Ferreira, mulher negra que ocupa a Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o e Organiza\u00e7\u00e3o do Sindprev-DF \u2013 sindicato que representa os servidores federais da Sa\u00fade, Trabalho e Previd\u00eancia Social no Distrito Federal \u2013, fala das dificuldades para chegar a ser dirigente sindical. \u00a0\u201cPara eu chegar onde eu cheguei n\u00e3o foi f\u00e1cil. Dentro da pr\u00f3pria categoria, \u00e0s vezes, eu me sentia com medo de ser discriminada, j\u00e1 que havia outras diretoras brancas. E a gente acaba se sentindo menor, por que o mundo cria a gente assim. Mas eu n\u00e3o deixei me abalar\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>H\u00e1 menos de um ano, Ant\u00f4nia foi alvo de inj\u00faria racial. Ela conta que o agressor foi um filiado, que se alterou e cometeu o crime durante uma discuss\u00e3o sobre as depend\u00eancias do Sindprev. \u201cEle (agressor) me chamou de macaca, de tudo. Eu fiquei muito abalada. Quando eu virei as costas, a filha dele me agrediu fisicamente. Isso me deixou muito triste\u201d, conta a sindicalista, e continua: \u201cA gente \u00e0s vezes pensa at\u00e9 em desistir. Mas n\u00e3o vou desistir agora\u201d, fala demonstrando resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nilza Cristina dos Santos, secret\u00e1ria de Forma\u00e7\u00e3o da CUT Bras\u00edlia e do Sindicato dos Professores, avalia que a destina\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o para mulheres no mundo sindical, proporcional ao dos homens, \u00e9 importante, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>\u201cPor muitos anos a paridade entre homens e mulheres na dire\u00e7\u00e3o sindical foi negada. De fato, ela s\u00f3 passou a valer para a CUT Nacional e as estaduais no \u00faltimo Congresso da Central, realizado em outubro deste ano, e foi uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica. Entretanto, eu n\u00e3o acredito apenas na ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, mas sim no empoderamento das mulheres para que este espa\u00e7o seja ocupado. As mulheres precisam estar preparadas para que tenham condi\u00e7\u00f5es de dar andamento \u00e0s pol\u00edticas necess\u00e1rias. N\u00e3o podemos deixar, por exemplo, que mulheres machistas ocupem os espa\u00e7os de poder, seja no sindicato ou em outros locais. Para isso, \u00e9 preciso form\u00e1-las\u201d, afirma a dirigente CUTista.<\/p>\n<p>A CUT, maior central sindical da Am\u00e9rica Latina e do Brasil, foi a primeira do setor a adotar o sistema de paridade para composi\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da entidade. O desafio agora \u00e9 garantir que esses espa\u00e7os sejam, segundo Nilza dos Santos, legitimados e assegurando a equidade de ra\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Fonte: CUT Bras\u00edlia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O racismo e o sexismo podem ser considerados como eixos basilares para a perpetua\u00e7\u00e3o da desigualdade social no Brasil, j\u00e1 que s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es que refletem diretamente na distribui\u00e7\u00e3o de recursos. 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