{"id":14573,"date":"2017-04-05T16:47:37","date_gmt":"2017-04-05T16:47:37","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=14573"},"modified":"2017-04-05T16:47:37","modified_gmt":"2017-04-05T16:47:37","slug":"terceirizacao-precariza-trabalhador-e-dificulta-campanha-salarial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/terceirizacao-precariza-trabalhador-e-dificulta-campanha-salarial","title":{"rendered":"Terceiriza\u00e7\u00e3o precariza trabalhador e dificulta campanha salarial"},"content":{"rendered":"<p id=\"link_lead\"><strong>O desenrolar do golpe em 2016 afundou o Brasil na crise econ\u00f4mica e a classe trabalhadora sentiu na pele os resultados. Apenas 19% das negocia\u00e7\u00f5es conquistaram aumento real de sal\u00e1rio, equivalente ao pior \u00edndice j\u00e1 visto, em 2003, quando o Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos) iniciou a s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o balan\u00e7o apresentado pelo departamento, 37% dos acordos ficaram abaixo da infla\u00e7\u00e3o e 44% igualaram. J\u00e1 a varia\u00e7\u00e3o real m\u00e9dia de 2016 ficou negativa (-0,52%), outro resultado que n\u00e3o era visto h\u00e1 14 anos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 2016, houve amplia\u00e7\u00e3o na quantidade de reajustes salariais parcelados. Entre 2008 e 2013, essa modalidade de aumento oscilou entre 4% e 5%. J\u00e1 em 2016, repetiu a tend\u00eancia de 2015 e dobrou, atingindo 30% das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o poderia ser ainda pior. No recorte por tipo de negocia\u00e7\u00e3o entre aquelas que obtiveram reajuste salarial \u00e9 poss\u00edvel verificar que as negocia\u00e7\u00f5es coletivas (por categoria) d\u00e3o um banho nos acordos coletivos (por empresa): 85,9% para a primeira contra 14,1% para a segunda.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria da luta por categoria ocorre justamente porque categorias como banc\u00e1rios e metal\u00fargicos conduzem negocia\u00e7\u00f5es em \u00e2mbito nacional, por meio de confedera\u00e7\u00f5es, ou mant\u00e9m forte presen\u00e7a no local de trabalho e amplo di\u00e1logo com os empregadores.<\/p>\n<p>Em suma, quanto mais ampla for a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, maior o poder de barganha e a capacidade de alcan\u00e7ar resultados positivos, como aponta o secret\u00e1rio-geral da CUT, S\u00e9rgio Nobre.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 por acaso que os golpistas tentam a todo custo quebrar as entidades sindicais e votam a toque de caixa a Reforma Trabalhista e a Terceiriza\u00e7\u00e3o que t\u00eam como objetivos tirar direitos e fragmentar e fragilizar a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. O objetivo \u00e9 facilitar a vida dos patr\u00f5es para que possam elevar o lucro \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o e piora nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, criticou.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o \u00e9 compartilhada pelo t\u00e9cnico do Dieese, Lu\u00eds Ribeiro que faz um alerta: se a terceiriza\u00e7\u00e3o, como aprovada pelos deputados federais e sancionada pelo ileg\u00edtimo Michel Temer (PMDB), avan\u00e7ar, a tend\u00eancia \u00e9 que as campanhas salariais fiquem cada vez piores.<\/p>\n<p>\u201cAs negocia\u00e7\u00e3o por categoria, que envolvem mais sindicatos, tem resultado mais favor\u00e1vel h\u00e1 muitos ano. Se a terceiriza\u00e7\u00e3o for implementada e os sindicatos sejam enfraquecidos, com aumento dos processo de negocia\u00e7\u00e3o por empresa, dividindo as categorias, muito provavelmente teremos a queda na renda da classe trabalhadora. Quando mais organizadas as categorias e mais abrangentes s\u00e3o acordos e mais fortes as negocia\u00e7\u00f5es\u201d, falou.<\/p>\n<p>Servi\u00e7os \u2013 N\u00e3o por acaso, o setor que mais enfrenta problemas com a terceiriza\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m o que teve o pior resultado. Quase a metade das negocia\u00e7\u00f5es registrou reajustes abaixo da infla\u00e7\u00e3o e esse foi tamb\u00e9m o segmento que teve a maior perda real m\u00e9dia, 0,64% abaixo da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNeste segmento h\u00e1 grande pulveriza\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es, s\u00f3 escapam mesmo as categorias mais fortes, como a banc\u00e1ria, que tem negocia\u00e7\u00e3o nacional. Mas muitas t\u00eam dificuldade devido \u00e0 prec\u00e1ria rela\u00e7\u00e3o de trabalho e \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o\u201d, avalia.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 confirmado pelo presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores no Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, Alci Ara\u00fajo. \u201cEm setores terceirizados de cidades como Cubat\u00e3o, Mau\u00e1 e Rio Grande do Sul, a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica contratar terceirizadas, n\u00e3o repassa os valore para manuten\u00e7\u00e3o de contratos de servi\u00e7os e os trabalhadores sequer recebem o sal\u00e1rio do m\u00eas. Ent\u00e3o, antes mesmo de discutir reajuste, lutamos para acabar com esse cen\u00e1rio\u201d, apontou.<\/p>\n<p>O que pesou<\/p>\n<p>No processo de negocia\u00e7\u00e3o, o Dieese avalia que a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator primordial, mas em 2016 ano a confian\u00e7a fragilizada pelo golpe foi mais relevante, respons\u00e1vel por impactar diretamente os investimentos dos empres\u00e1rios, foi preponderante.<\/p>\n<p>\u201cNo ano passado a infla\u00e7\u00e3o vinha em queda, mas o desempenho das negocia\u00e7\u00f5es foi muito ruim, comparada a anos anteriores. Acreditamos que isso se deva em grande parte \u00e0 queda do PIB em todos os setores e ao desemprego alt\u00edssimo, que impacta muito. O medo de investir e foi um limitador nas discuss\u00f5es dos empregadores com os trabalhadores, assim como a falta de investimento p\u00fablico na economia, que gera incertezas gerais\u201d, analisa Ribeiro.<\/p>\n<p>Fator democracia \u2013 Presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Metal\u00fargicos (CNM), Paulo Cayres, negociou no setor que teve o resultado menos desfavor\u00e1vel dentro do segmento ind\u00fastria. Quase um quarto das negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o obteve aumentos reais e 17% das negocia\u00e7\u00f5es registraram reajustes abaixo da infla\u00e7\u00e3o, o menor do setor. Mas os reajustas acima de infla\u00e7\u00e3o tiveram varia\u00e7\u00e3o real m\u00e9dia negativa (-0,48%).<\/p>\n<p>\u201cNuma \u00e9poca de crise, o poder de barganha ficar reduzido, porque o trabalhador fica com medo de perder o emprego. O empres\u00e1rio baixa a margem de lucro, mas n\u00e3o deixa de ter e \u00e9 inconceb\u00edvel n\u00e3o repassar a infla\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que o empregador trata o trabalhador como custo em ao como investimento, ainda que tenhamos uma m\u00e3o de obra muito barata, o sal\u00e1rio brasileiro hoje se nivela ao chin\u00eas\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Outro ponto essencial dessa equa\u00e7\u00e3o, avalia Cayres, \u00e9 o fator democracia. \u201cO golpe faz com que as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas deixem de funcionar como deveriam e mesmo que voc\u00ea tenha uma apela\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em diss\u00eddio, sempre acabam perdendo. Isso tamb\u00e9m influencia e o ataque que acaba se fortalecendo contra direitos dos trabalhadores.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO trabalhador n\u00e3o tem outra alternativa a n\u00e3o ser sair \u00e0s ruas para defender seu sal\u00e1rio, seu emprego e de toda sua fam\u00edlia. A fragiliza\u00e7\u00e3o dos direitos e das organiza\u00e7\u00f5es sindicais \u00e9 o que pode acontecer de pior para quem n\u00e3o \u00e9 dono da empresa. Por isso, todos \u00e0 greve geral no dia 28 de abril\u201d, convoca S\u00e9rgio Nobre.<\/p>\n<p>CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenrolar do golpe em 2016 afundou o Brasil na crise econ\u00f4mica e a classe trabalhadora sentiu na pele os resultados. Apenas 19% das negocia\u00e7\u00f5es conquistaram aumento real de sal\u00e1rio, equivalente ao pior \u00edndice j\u00e1 visto, em 2003, quando o Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos) iniciou a s\u00e9rie hist\u00f3rica. De acordo com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14574,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-14573","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14573"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14575,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14573\/revisions\/14575"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14574"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}