{"id":14954,"date":"2017-09-29T16:24:20","date_gmt":"2017-09-29T16:24:20","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=14954"},"modified":"2017-09-29T16:24:20","modified_gmt":"2017-09-29T16:24:20","slug":"reforma-trabalhista-podera-aumentar-os-acidentes-do-trabalho-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/reforma-trabalhista-podera-aumentar-os-acidentes-do-trabalho-no-brasil","title":{"rendered":"Reforma trabalhista poder\u00e1 aumentar os acidentes do trabalho no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Conforme dados oficiais ocorrem mais de 700 mil acidentes de trabalho por ano no Brasil, muitas mortes e in\u00fameros trabalhadores s\u00e3o mutilados e ficam incapacitados total ou parcial, provis\u00f3ria ou permanentemente para o trabalho e at\u00e9 para os mais simples atos da vida humana. O gasto da Previd\u00eancia Social atinge cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, al\u00e9m dos gastos a cargo das empresas com horas perdidas de trabalho, indeniza\u00e7\u00f5es por danos material, moral, est\u00e9tico e pela perda de uma chance, das a\u00e7\u00f5es regressivas da Previd\u00eancia Social contra as empresas que agem com culpa e das indeniza\u00e7\u00f5es coletivas buscadas nas a\u00e7\u00f5es coletivas ajuizadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e pelos Sindicatos.<\/p>\n<p>Apesar de preocupantes, os dados oficiais sequer refletem a realidade, principalmente quanto \u00e0s doen\u00e7as ocupacionais, que na maioria dos casos n\u00e3o s\u00e3o registradas, quer porque o \u00f3rg\u00e3o previdenci\u00e1rio diagnostica-as na sua maioria como doen\u00e7as comuns, quer porque existe grande massa de trabalhadores que n\u00e3o tem carteira assinada e porque muitas empresas simplesmente subnotificam os acidentes para n\u00e3o serem acusadas de altos \u00edndices acident\u00e1rios, que interferem na sua vida no mercado local e concorrente. Foi o que aconteceu com a Petrobr\u00e1s, que, conforme reconheceu a Justi\u00e7a do Trabalho, adotou m\u00e9todos ilegais, que feriram a dignidade dos trabalhadores, impedindo-os de se afastarem do trabalho por motivo de doen\u00e7as e de acidentes do trabalho com o \u00fanico prop\u00f3sito de diminuir os \u00edndices de acidentabilidade<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2017-set-29\/reflexoes-trabalhistas-reforma-trabalhista-aumentar-acidentes-trabalho-brasil#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas e outras causas existentes, o processo de globaliza\u00e7\u00e3o da economia, a flexibiliza\u00e7\u00e3o do Direito do Trabalho e a terceiriza\u00e7\u00e3o de atividades t\u00eam contribu\u00eddo para o aumento dos riscos ambientais, o que poder\u00e1 se agravar com a aplica\u00e7\u00e3o das novas regras legais trazidas pela reforma trabalhista, a qual n\u00e3o teve preocupa\u00e7\u00e3o em melhorar condi\u00e7\u00f5es ambientais, diminuir riscos do trabalho e preservar a sa\u00fade e vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Para piorar a situa\u00e7\u00e3o a fiscaliza\u00e7\u00e3o do trabalho est\u00e1 cada dia mais ineficiente em raz\u00e3o do baixo n\u00fameros de AFTs e da falta de condi\u00e7\u00f5es de trabalho, incluindo recursos humanos e materiais. \u00c9 t\u00e3o grave a situa\u00e7\u00e3o dos Auditores Fiscais do Trabalho que o seu Sindicato denunciou o Brasil na Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), o qual, ao longo do tempo n\u00e3o tem se preocupado em equipar t\u00e3o importante \u00f3rg\u00e3o do Estado incumbido da fiscaliza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2017-set-29\/reflexoes-trabalhistas-reforma-trabalhista-aumentar-acidentes-trabalho-brasil#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Infelizmente muitos empregadores e o pr\u00f3prio Estado parece que n\u00e3o perceberam ainda que a preven\u00e7\u00e3o de riscos e dos acidentes de trabalho, al\u00e9m de preservar vidas humanas significa melhor qualidade, maior produtividade e competitividade dos produtos e, com isso, mais lucro, que \u00e9 o principal objetivo do capital.<\/p>\n<p>O Brasil, incluindo Tratados internacionais a que aderiu, o Cap\u00edtulo V da CLT, as NRs da Portaria 3.214\/1977 e a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 passou a ter uma boa legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente do trabalho e \u00e0 sa\u00fade dos trabalhadores. N\u00e3o obstante isso, os \u00edndices acident\u00e1rios ainda s\u00e3o preocupantes, colocando o Brasil no ranking mundial por volta do 10\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Todavia, a situa\u00e7\u00e3o acident\u00e1ria no Brasil poder\u00e1 piorar com a reforma trabalhista recentemente aprovada, cujos autores n\u00e3o tiveram qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com a melhoraria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, banindo at\u00e9 a natureza de normas de ordem p\u00fablica das regras de sa\u00fade e seguran\u00e7a, como a dura\u00e7\u00e3o do trabalho e os intervalos intrajornada, para permitir que conven\u00e7\u00f5es, acordos coletivos e at\u00e9 acordos individuais de trabalho possam aumentar a jornada de trabalho, reduzir intervalos de descanso, estabelecer banco de horas, entre outras investidas sobre condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e, com isso, diminuir a prote\u00e7\u00e3o prevista em lei. o que ofende o comando do inc. XXII do art. 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e Tratados internacionais assinados pelo Brasil, como as Conven\u00e7\u00f5es 148 e 155, que visam \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da vida e da sa\u00fade dos trabalhadores como direito fundamental.<\/p>\n<p>Raimundo Sim\u00e3o de Melo. Consultor Jur\u00eddico e Advogado. Procurador Regional do Trabalho aposentado. Doutor e Mestre em Direito das rela\u00e7\u00f5es sociais pela PUC\/SP. Professor de Direito e de Processo do Trabalho, Professor Titular do Centro Universit\u00e1rio UDF\/Mestrado em Direito e Rela\u00e7\u00f5es Sociais e Trabalhistas. Membro da Academia Nacional de Direito do Trabalho. Autor de livros jur\u00eddicos, entre outros, \u201cDireito ambiental do trabalho e a sa\u00fade do trabalhador\u201d e \u201cA\u00e7\u00f5es acident\u00e1rias na Justi\u00e7a do Trabalho\u201d.<\/p>\n<div>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2017-set-29\/reflexoes-trabalhistas-reforma-trabalhista-aumentar-acidentes-trabalho-brasil#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0A Petrobras foi condenada pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) a pagar R$ 1 milh\u00e3o por dano moral coletivo por n\u00e3o permitir que empregados terceirizados da refinaria de Paul\u00ednia que sofressem acidentes ou adquirissem doen\u00e7as no ambiente de trabalho se afastassem do emprego para se recuperarem. A estatal foi acusada de ter impedido, por meio da implanta\u00e7\u00e3o de um programa de restri\u00e7\u00e3o de atividades, que os trabalhadores terceirizados acidentados ou doentes se afastassem do servi\u00e7o. O pedido do MPT foi acatado pela 1\u00aa Vara do Trabalho de Paul\u00ednia, mas o valor de indeniza\u00e7\u00e3o foi fixado em R$ 2 milh\u00f5es. As empresas e o MPT recorreram da decis\u00e3o, que passou a ser julgada ent\u00e3o pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15\u00aa Regi\u00e3o, em Campinas. O TRT aumentou o valor da condena\u00e7\u00e3o para R$ 5 milh\u00f5es, afirmando que a atitude da empresa era abusiva e se devia \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o em manter baixos os \u00edndices de afastamento para conseguir manter contratos com outros pa\u00edses. Ao chegar ao TST, por\u00e9m, o processo teve seu valor reduzido para R$ 1 milh\u00e3o. Procurada pela Folha de S\u00e3o Paulo, a Petrobras afirmou que &#8220;visa sempre o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o, o bem estar e seguran\u00e7a de sua for\u00e7a de trabalho&#8221;. (TST-E-ED-RR-120300-89.2003.5.01.0015, Jo\u00e3o Oreste Dalazen, Min. Relator; Bras\u00edlia, 21\/02\/2013).<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ftn2\">\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2017-set-29\/reflexoes-trabalhistas-reforma-trabalhista-aumentar-acidentes-trabalho-brasil#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0&#8220;&#8230; Representantes do Sinait estiveram no escrit\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho \u2013 OIT na quarta-feira, 19 de mar\u00e7o, em Bras\u00edlia, para protocolar den\u00fancia contra o governo brasileiro pelo n\u00famero insuficiente de Auditores-Fiscais do Trabalho. O documento tamb\u00e9m foi encaminhado para Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, onde est\u00e1 a sede da Organiza\u00e7\u00e3o. De acordo com o Sinait, o governo n\u00e3o est\u00e1 cumprindo a Conven\u00e7\u00e3o 81 da OIT, ratificada pelo Brasil, especialmente o seu artigo 10, que estabelece, aos pa\u00edses signat\u00e1rios, quantitativo suficiente de Auditores-Fiscais do Trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de estabelecimentos, de trabalhadores, al\u00e9m de observar tamb\u00e9m as exig\u00eancias demandadas pela complexidade de suas legisla\u00e7\u00f5es trabalhistas&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>(Fonte: SINAIT.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sinait.org.br\/\">https:\/\/www.sinait.org.br<\/a>. Em 17\/04\/2014).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conforme dados oficiais ocorrem mais de 700 mil acidentes de trabalho por ano no Brasil, muitas mortes e in\u00fameros trabalhadores s\u00e3o mutilados e ficam incapacitados total ou parcial, provis\u00f3ria ou permanentemente para o trabalho e at\u00e9 para os mais simples atos da vida humana. 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