{"id":14970,"date":"2017-10-04T16:23:15","date_gmt":"2017-10-04T16:23:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=14970"},"modified":"2017-10-04T16:23:15","modified_gmt":"2017-10-04T16:23:15","slug":"investidor-gringo-que-temer-corteja-quer-ataque-maior-a-clt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/investidor-gringo-que-temer-corteja-quer-ataque-maior-a-clt","title":{"rendered":"Investidor gringo que Temer corteja quer ataque maior \u00e0 CLT"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/vendese113943.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-14971\" src=\"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/vendese113943.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/vendese113943.jpg 600w, https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/vendese113943-300x149.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p id=\"link_lead\"><strong>A liquida\u00e7\u00e3o do Brasil anunciada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em Nova York, n\u00e3o foi suficiente para satisfazer investidores norte-americanos. Nem a reforma trabalhista que aniquilou direitos conquistados ao longo de d\u00e9cadas bastou para agradar os capitalistas estadunidenses. Para quem olha o pa\u00eds como col\u00f4nia a ser explorada, rasgar a CLT \u00e9 pouco. \u201cEnt\u00e3o quer dizer que ainda n\u00e3o vamos poder reduzir sal\u00e1rios? \u201d, questionou, frustrado, um empres\u00e1rio gringo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Joana Rozowykwiat<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com mat\u00e9ria publicada nesta ter\u00e7a (03), pela Folha de S.Paulo, os investidores sa\u00edram desanimados de um encontro na C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Estados Unidos, em Nova York, na semana passada. Para eles, o Brasil n\u00e3o \u00e9 capitalista o suficiente. Suas expectativas eram poder terceirizar funcion\u00e1rios da forma como quisessem, reduzir sal\u00e1rios e driblar processos trabalhistas, diz a reportagem.<\/p>\n<p>Muitos dos empres\u00e1rios presentes esperavam ter liberdade para demitir e recontratar os mesmos funcion\u00e1rios sem carteira assinada, barateando, assim, o custo da m\u00e3o de obra verde-amarela. N\u00e3o gostaram de saber, portanto, que a nova lei estabelece prazo de um ano e meio para essa recontrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reforma trabalhista de Temer, contudo, abriu uma brecha perversa para os trabalhadores, que \u00e9 vista com bons olhos pelos norte-americanos: a possibilidade de negociar contrata\u00e7\u00f5es e demiss\u00f5es direto com o trabalhador, em acordos que prevalecem sobre a legisla\u00e7\u00e3o. &#8220;Estamos a um dedinho de ter um contrato mais flex\u00edvel&#8221;, disse Isabel Bueno, s\u00f3cia da Mattos Filho, escrit\u00f3rio de advocacia que organizou o encontro nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o na C\u00e2mara de Com\u00e9rcio aconteceu pouco depois de uma comitiva do governo brasileiro ter ido a terras norte-americanas, fazer propaganda do pacote de privatiza\u00e7\u00f5es de Temer, em busca de investimentos estrangeiros.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o,<a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/noticia\/302180-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0Meirelles divulgou a oferta, como um locutor das Casas Bahia<\/a>: \u201c\u00c9 o momento em que a economia est\u00e1 come\u00e7ando a crescer, mas os pre\u00e7os n\u00e3o refletem ainda a recupera\u00e7\u00e3o. \u00c9 precisamente o melhor momento para se investir no Brasil.\u201d De acordo com o Valor Econ\u00f4mico, ao ser questionado se o pa\u00eds estaria pela metade do pre\u00e7o, o ministro respondeu afirmativamente: \u201cabsolutamente\u201d.<\/p>\n<p>Para o economista Paulo Kliass, as declara\u00e7\u00f5es dos norte-americanos, contidas na met\u00e9ria da Folha, s\u00e3o um \u201cespelho\u201d das inten\u00e7\u00f5es da miss\u00e3o brasileira que foi ao exterior vender o pa\u00eds.\u201cO governo estava interessado em fazer uma oferta generalizada de benesses, do tipo \u2018venham para o Brasil que aqui \u00e9 o para\u00edso do financismo\u2019. Oferecer concess\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es, todo tipo de alternativa, e fazer com que as condi\u00e7\u00f5es para a entrada do capital internacional aqui sejam as melhores poss\u00edveis\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com ele, isso significa ofertar \u201ccondi\u00e7\u00f5es super favor\u00e1veis\u201d nos editais, com taxas de rentabilidade muito altas, inexist\u00eancia de contrapartidas, \u201ccontratos cuja preocupa\u00e7\u00e3o maior \u00e9 favorecer quem vai pegar a concess\u00e3o ou comprar a empresa, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com a economia e a sociedade brasileiras\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPorque a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o deles \u00e9 fazer caixa para resolver quest\u00f5es fiscais e, particularmente para a equipe econ\u00f4mica, ficar bem na foto com que quem eles consideram mais importante, que \u00e9 a nata do financismo em Nova York\u201d, criticou. Ocorre que, nem fornecendo todas as vantagens poss\u00edveis, o governo conseguiu satisfazer o apetite dos norte-americanos. \u201cSeria ir\u00f4nico se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico\u201d, disse Kliass<\/p>\n<p>\u201cMuito provavelmente, a eles foi vendida uma narrativa de que a coisa estava ainda mais f\u00e1cil, que o custo Brasil seria ainda mais baixo. E isso tudo depois que o governo conseguiu aprovar o in\u00edcio do desmonte da CLT, com aberra\u00e7\u00f5es contra gr\u00e1vidas e lactantes, promovendo terceiriza\u00e7\u00e3o ilimitada e fazendo terra arrasada do m\u00ednimo de direitos que havia, com essa tese de que o acordado se sobrep\u00f5e ao legislado. Mas nem assim os caras se deram por satisfeitos e est\u00e3o pedindo mais\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Segundo o economista, as repercuss\u00f5es do encontro em Nova York devem servir de alerta para a sociedade e, em especial, o movimento sindical de que \u201co conjunto das maldades\u201d contra o trabalhador pode n\u00e3o ter se esgotado. \u201cA gente tem por tarefa continuar preparado uma rea\u00e7\u00e3o organizada, para evitar que essas e outras atitudes de entrega liquidacionista da nossa economia n\u00e3o sejam realizadas\u201d.<br \/>\n<b><br \/>\nPa\u00eds rico e desigual, com pouca prote\u00e7\u00e3o aos trabalhadores<\/b><\/p>\n<p>Durantes as discuss\u00f5es da reforma trabalhista, muitos foram os governistas que fizeram refer\u00eancia \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o norte-americana, como se ela fosse um modelo a ser seguido. Ocorre a maior pot\u00eancia econ\u00f4mica do mundo n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Folha de S.Paulo, traz um infogr\u00e1fico, mostrando que, por l\u00e1, por exemplo, o trabalhador pode ser demitido sem justa causa, aviso pr\u00e9vio e sem receber multa rescis\u00f3ria. Empresas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a fornecerem f\u00e9rias remuneradas ou licen\u00e7a maternidade.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 houve uma precariza\u00e7\u00e3o completa da for\u00e7a de trabalho. Voc\u00ea tem o que chamam de pluralismo sindical, v\u00e1rios sindicatos representando a mesma base, o que enfraquece a capacidade de luta e negocia\u00e7\u00e3o. Por outro lado, h\u00e1 uma exacerba\u00e7\u00e3o do individualismo no processo jur\u00eddico e pol\u00edtico, de maneira a fazer com que a a\u00e7\u00e3o individual se sobreponha \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, descreveu Paulo Kliass.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica de 2008 terminou por revelar os efeitos desse liberalismo levado ao extremo. \u201cEm fun\u00e7\u00e3o da desregulamenta\u00e7\u00e3o, nessa balan\u00e7a, as empresas t\u00eam muito mais for\u00e7a que o trabalhador individualmente. Com a crise, isso fez com que sal\u00e1rios fossem reduzidos e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, previd\u00eancia piorassem\u201d. L\u00e1, como aqui, a conta foi paga pelos setores menos favorecidos da sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os Estados Unidos s\u00e3o considerados o pa\u00eds desenvolvido com mais desigualdades no mundo. Diversos relat\u00f3rios indicam que os dividendos do crescimento econ\u00f4mico e dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos n\u00e3o s\u00e3o suficientemente compartilhados por toda a popula\u00e7\u00e3o. De acordo com Federal reserve (o Bancpo Central norte-americano), apenas 1% da popula\u00e7\u00e3o acumula quase um quarto da renda nacional. O 1% mais rico possu\u00eda 23,8% da renda em 2016, contra 20,3% em 2013.<\/p>\n<p>A desregula\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a raz\u00e3o da desigualdade, claro, mas \u00e9, sim, um fator a ser levado em considera\u00e7\u00e3o \u201cA causa maior da desigualdade est\u00e1 associada \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o, um processo mais estrutural que foi mais refor\u00e7ado no per\u00edodo em que os republicanos estiveram no poder e pela grande crise de 2008&#8243;, citou o economista.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, cada vez mais parcelas da popula\u00e7\u00e3o dos EUA t\u00eam se afastado do ideal do sonho americano. &#8220;Voc\u00ea teve desemprego aumentando, setores do capital se apropriando cada vez mais da parcela dispon\u00edvel da renda na sociedade. E a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aliada \u00e0 inexist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de um Estado de bem-estar social para apoiar a popula\u00e7\u00e3o em momentos de crise, s\u00f3 aprofunda o n\u00edvel das desigualdades\u201d, coloca Paulo Kliass. Um exemplo que o Brasil, j\u00e1 brutalmente desigual, n\u00e3o deveria seguir.<\/p>\n<p>Do Portal Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liquida\u00e7\u00e3o do Brasil anunciada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em Nova York, n\u00e3o foi suficiente para satisfazer investidores norte-americanos. Nem a reforma trabalhista que aniquilou direitos conquistados ao longo de d\u00e9cadas bastou para agradar os capitalistas estadunidenses. 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