{"id":15107,"date":"2017-11-29T15:16:08","date_gmt":"2017-11-29T15:16:08","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=15107"},"modified":"2017-11-29T15:16:08","modified_gmt":"2017-11-29T15:16:08","slug":"lei-trabalhista-e-retrocesso-juridico-e-social-diz-ministra-do-tst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/lei-trabalhista-e-retrocesso-juridico-e-social-diz-ministra-do-tst","title":{"rendered":"Lei trabalhista \u00e9 &#8220;retrocesso jur\u00eddico e social&#8221;, diz ministra do TST"},"content":{"rendered":"<h2 id=\"link_lead\">A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Dela\u00edde Antares v\u00ea &#8220;um grande retrocesso jur\u00eddico e social&#8221; na nova legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, com a entrada em vigor da Lei 13.467.<\/p>\n<p>Por Vitor Nuzzi, da RBA<\/h2>\n<p>&#8220;Essa lei teve uma tramita\u00e7\u00e3o apressada&#8221;, acrescentou, lembrando que pe\u00e7as como o C\u00f3digo Civil, entre outras, levaram anos para serem conclu\u00eddas. A desembargadora participou de debate no segundo dia da 23\u00aa Confer\u00eancia da Advocacia Brasileira, nesta ter\u00e7a-feira (28), em S\u00e3o Paulo. A reprova\u00e7\u00e3o \u00e0 lei foi praticamente un\u00e2nime na mesa.<\/p>\n<p>Ela reagiu a coment\u00e1rios de que os ju\u00edzes do trabalho iriam se recusar a aplicar a lei. &#8220;Vamos aplicar, sim&#8221;, afirmou, mas sem abrir m\u00e3o do direito de interpretar. A ministra destacou que se trata de lei ordin\u00e1ria e ironizou, sendo aplaudida: &#8220;Eu costumo brincar que de ordin\u00e1ria tem tudo&#8221;. Mais de mil pessoas lotaram o audit\u00f3rio que discute as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o. A ju\u00edza refutou quem fala do suposto alto n\u00famero de processos trabalhistas, afirmando, com base em dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), que esse ramo do Judici\u00e1rio responde por apenas 6% dos lit\u00edgios.<\/p>\n<p>&#8220;Flexibiliza\u00e7\u00e3o de direitos n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para a crise. N\u00e3o foi em nenhum lugar do mundo&#8221;, afirmou Dela\u00edde. &#8220;O que o Brasil precisa \u00e9 de crescimento econ\u00f4mico, investimento em educa\u00e7\u00e3o, cultura, forma\u00e7\u00e3o, infraestrutura, incremento da produtividade&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto fez a mesma refer\u00eancia sobre a 13.467, dizendo tratar-se de lei ordin\u00e1ria &#8220;em todos os sentidos&#8221; e que deve se submeter &#8220;ao controle da legalidade&#8221;. Para ele, o sentido da lei foi &#8220;fazer com que o mau empregador n\u00e3o precise pagar sequer os direitos lesionados&#8221;.<\/p>\n<p>Britto sugeriu que os advogados se preparem para as prov\u00e1veis discuss\u00f5es em torno da lei. &#8220;O legislador j\u00e1 concluiu o seu perverso trabalho. A partir de agora, n\u00f3s, advogados, temos de voltar a estudar mais fortemente, porque os trabalhadores precisar\u00e3o de n\u00f3s na busca por direitos&#8221;, afirmou, chamando a nova legisla\u00e7\u00e3o de &#8220;aberra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ele lamentou ainda que algumas pessoas, &#8220;inclusive algumas que vestem toga&#8221;, deixem de ver a Justi\u00e7a do Trabalho como fator de inclus\u00e3o social. E disse que a reforma representa um &#8220;retorno \u00e0 servid\u00e3o&#8221;, em que o ser humano \u00e9 visto como &#8220;coisa a ser apropriada pelo menor pre\u00e7o&#8221;. Os navios negreiros est\u00e3o de volta, arrematou. &#8220;Esse \u00e9 o conceito de modernidade? Quanto mais se explora, melhor o pa\u00eds \u00e9?&#8221;<\/p>\n<p><b>Menosprezo<br \/>\n<\/b><br \/>\nA desembargadora T\u00e2nia Reckziegel, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4\u00aa Regi\u00e3o, no Rio Grande do Sul, disse que a &#8220;reforma&#8221; traz v\u00e1rios preju\u00edzos \u00e0s mulheres, que historicamente sempre tiveram dificuldade para conquistar avan\u00e7os e pol\u00edticas p\u00fablicas, com lenta inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. No cotidiano, elas continuam ganhando menos que os homens, mesmo exercendo fun\u00e7\u00e3o equivalente (&#8220;Isso a gente v\u00ea diariamente no tribunal&#8221;), sofrendo discrimina\u00e7\u00e3o, maior exposi\u00e7\u00e3o ao trabalho informal e sujeitas a ass\u00e9dio moral e sexual. &#8220;O menosprezo \u00e0s trabalhadoras ainda \u00e9 um problema cultural em nosso pa\u00eds. \u00c0s vezes, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es muito do\u00eddas.&#8221;<\/p>\n<p>Ela manifestou especial preocupa\u00e7\u00e3o com o dispositivo da nova lei que possibilita a gestantes e lactantes exercerem atividades insalubres. &#8220;Para mim \u00e9 o maior dos preju\u00edzos&#8221;, afirmou T\u00e2nia, acrescentando que al\u00e9m do risco \u00e0 integridade f\u00edsica existe ofensa ao princ\u00edpio constitucional da dignidade humana. A ju\u00edza lembrou que esse item ainda pode mudar na discuss\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria (MP) que muda partes da lei rec\u00e9m-aprovada. A MP recebeu quase mil emendas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m para a desembargadora, faltou debate antes de implementar as mudan\u00e7as. &#8220;Lamentavelmente, permanece vivo o conservadorismo dos parlamentares brasileiros, que se mostram refrat\u00e1rios a pol\u00edticas afirmativas de participa\u00e7\u00e3o feminina na sociedade.&#8221;<\/p>\n<p>O presidente da OAB de Minas Gerais, Ant\u00f4nio Fabr\u00edcio de Matos Gon\u00e7alves, acredita que a reforma vai afetar e vedar em grande parte o acesso \u00e0 Justi\u00e7a trabalhista. &#8220;Vamos ter muito trabalho na compreens\u00e3o e no entendimento global do texto&#8221;, afirmou. Segundo ele, na medida em que trar\u00e3o perda salarial, as mudan\u00e7as ter\u00e3o impacto negativo na economia.<\/p>\n<p>O conselheiro federal Bruno Figueiredo, presidente das Comiss\u00f5es de Direito Sindical da OAB federal e de Minas, criticou itens como a exclus\u00e3o de sindicatos nas homologa\u00e7\u00f5es, a possibilidade de realizar dispensas coletivas sem negocia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e o fim do princ\u00edpio da ultratividade, pelo qual as normas s\u00e3o mantidas mesmo depois da validade, at\u00e9 renova\u00e7\u00e3o da conven\u00e7\u00e3o ou acordo coletivo.<\/p>\n<p>Com bancos de horas anual, semestral e mensal, ele acredita que as empresas deixar\u00e3o de pagar horas extras. E tamb\u00e9m citou o chamado trabalho intermitente, em que, segundo ele, os empregados n\u00e3o ter\u00e3o mais a garantia do sal\u00e1rio no fim do m\u00eas, enquanto os custos fixos continuar\u00e3o os mesmos. O advogado disse recear aumento da inadimpl\u00eancia e mesmo da criminalidade.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0Rede Brasil Atual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Dela\u00edde Antares v\u00ea &#8220;um grande retrocesso jur\u00eddico e social&#8221; na nova legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, com a entrada em vigor da Lei 13.467. Por Vitor Nuzzi, da RBA &#8220;Essa lei teve uma tramita\u00e7\u00e3o apressada&#8221;, acrescentou, lembrando que pe\u00e7as como o C\u00f3digo Civil, entre outras, levaram anos para serem conclu\u00eddas. 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