{"id":16799,"date":"2018-01-30T19:06:40","date_gmt":"2018-01-30T19:06:40","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=16799"},"modified":"2018-01-30T19:06:40","modified_gmt":"2018-01-30T19:06:40","slug":"empresas-escondem-informacoes-sobre-roubos-de-r-343-milhoes-a-fortalezas-e-carros-fortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/empresas-escondem-informacoes-sobre-roubos-de-r-343-milhoes-a-fortalezas-e-carros-fortes","title":{"rendered":"Empresas escondem informa\u00e7\u00f5es sobre roubos de R$ 343 milh\u00f5es a fortalezas e carros-fortes"},"content":{"rendered":"<p>Os bandidos chegam pela madrugada. Agem r\u00e1pido com dezenas de comparsas e ve\u00edculos, por vezes caminhonetes e at\u00e9 caminh\u00f5es. Fecham as ruas e isolam a regi\u00e3o. Com armas de alto calibre, algumas .50, rendem os seguran\u00e7as, matam at\u00e9 policiais se julgarem necess\u00e1rio, instalam explosivos numa parede com ajuda de um profissional acostumado a detonar minas no Norte ou no Nordeste. Bum! Uma explos\u00e3o, ora cir\u00fargica ora espalhafatosa, abre uma porta ou derruba uma parede inteira. Os ladr\u00f5es entram e levam milh\u00f5es em dinheiro vivo guardados dentro de empresas que fazem transporte e armazenagem de valores no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dados das pol\u00edcias civis, da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Policiais (Fenapef), da \u00e1rea de intelig\u00eancia da Pol\u00edcia Federal e de seguradoras levantados pela\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/revista.congressoemfoco.uol.com.br\/\">Revista Congresso em Foco<\/a><\/strong>\u00a0mostram que pelo menos R$ 343 milh\u00f5es foram roubados de carros e bases fortes em condi\u00e7\u00f5es parecidas com as descritas acima apenas nos \u00faltimos dois anos. Desse total, R$ 215 milh\u00f5es foram levados em dez assaltos, feitos em seis estados, nas bases das empresas especializadas na armazenagem de dinheiro, verdadeiras \u201cfortalezas\u201d. Uma m\u00e9dia de R$ 21 milh\u00f5es por roubo. Nesses casos, seis pessoas foram mortas. Os R$ 128 milh\u00f5es restantes foram subtra\u00eddos em 156 ataques a carros-fortes, quando os roubos s\u00e3o menores, m\u00e9dia de R$ 848 mil por a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/static.congressoemfoco.uol.com.br\/2018\/01\/assaltos-caixa-forte.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-323128\" title=\"assaltos caixa forte\" src=\"http:\/\/static.congressoemfoco.uol.com.br\/2018\/01\/assaltos-caixa-forte.png\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"285\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os valores envolvidos e o n\u00famero de atos criminosos tendem a ser ainda maiores devido \u00e0 morosidade das empresas em registrar a ocorr\u00eancia, que chega at\u00e9 a dois meses. Os assaltos dessa natureza s\u00e3o um neg\u00f3cio de alta lucratividade e baixo risco, apontam especialistas. Essa demora e a sucess\u00e3o de corre\u00e7\u00f5es nas cifras roubadas intrigam profissionais das \u00e1reas de seguran\u00e7a p\u00fablica e de combate ao crime organizado e \u00e0 lavagem de dinheiro. Gigantes do setor, a Prosegur, a Protege, a Brinks, a Rodoban e a Servi-San se negaram a informar \u00e0 reportagem a data em que comunicaram o quanto foi levado pelos criminosos em dez assaltos \u00e0s suas bases fixas entre novembro de 2015 e de 2017.<\/p>\n<p>Em quatro casos, de acordo com a pol\u00edcia civil dos estados onde esses crimes ocorreram, a notifica\u00e7\u00e3o sobre o roubo demorou de 10 a 61 dias. Tamb\u00e9m foram feitas diversas retifica\u00e7\u00f5es sobre os valores levados. Um dos crimes mais recentes foi cometido em Ara\u00e7atuba (SP), a 600 km a oeste da capital paulista. Os assaltantes mataram um policial militar e levaram o cofre da Protege em 16 de outubro. A empresa n\u00e3o revela o valor roubado nem mesmo para a Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo, que, at\u00e9 o in\u00edcio de novembro, aguardava a comunica\u00e7\u00e3o do crime depois de enviar um of\u00edcio sem resposta \u00e0 firma de seguran\u00e7a. Uma demora de pelo menos 16 dias. Fontes policiais ouvidas pela reportagem revelam que o roubo foi de R$ 8 milh\u00f5es. A Protege, por\u00e9m, n\u00e3o confirmou o valor.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/loja\/\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-323136 alignright\" src=\"http:\/\/static.congressoemfoco.uol.com.br\/2018\/01\/capa40022.png\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"297\" \/><\/a>Propina e fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Na Opera\u00e7\u00e3o Ponto Final, uma das fases da Lava Jato contra o ex-governador do Rio de Janeiro S\u00e9rgio Cabral (PMDB), delatores disseram ao Minist\u00e9rio P\u00fablico que dinheiro custodiado em duas empresas de guarda e transporte de valores eram usados para pagar propina ao peemedebista. Isso s\u00f3 aumentou a desconfian\u00e7a de investigadores. Apesar da descoberta, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transporte de Valores (ABTV) ressalta que \u201ctodo numer\u00e1rio transportado pelas empresas tem sempre na origem ou destino uma institui\u00e7\u00e3o financeira\u201d.<\/p>\n<p>Para o presidente da Fenapef, Lu\u00eds Ant\u00f4nio Boudens, h\u00e1 algo estranho a\u00ed. \u201cOs \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o surpreendidos quando essas empresas s\u00e3o assaltadas e s\u00e3o revelados os valores reais\u201d, afirma o policial. Ele acredita que, por tr\u00e1s da demora na presta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, a estrat\u00e9gia \u00e9 evitar tr\u00eas problemas. \u201cUma coisa \u00e9 se preservar da quest\u00e3o da seguradora, outra \u00e9 n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o para o valor roubado, tanto de autoridades de fiscaliza\u00e7\u00e3o quanto de outros grupos criminosos\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Boi e boiada<\/strong><\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico e especialista em seguran\u00e7a Guaracy Mingardi tem opini\u00e3o semelhante. \u201cPode ser valor maior ali ou menor. Se falarem mais do que t\u00eam, v\u00e3o receber mais seguro. Se falarem menos, v\u00e3o dizer: \u2018N\u00e3o precisa perder a confian\u00e7a em n\u00f3s\u2019. Eu n\u00e3o tenho certeza se eles declaram o valor correto\u201d, observa.\u00a0 Para Guaracy, as empresas t\u00eam informa\u00e7\u00f5es bem contabilizadas para saber quanto h\u00e1 nos cofres e descobrir quanto foi roubado. \u201cElas n\u00e3o demoram: \u00e9 uma pol\u00edtica delas para alguma coisa que n\u00e3o querem revelar. Pode ser dinheiro n\u00e3o declarado, n\u00e3o d\u00e1 pra ter certeza\u201d, pondera.<\/p>\n<p>O auditor e consultor Alexandre Botelho, um dos fundadores do Instituto de Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Lavagem de Dinheiro (IPLD), diz a demora \u00e9 injustific\u00e1vel e pode esconder crimes de terceiros. \u201cEm v\u00e1rios epis\u00f3dios nesses assaltos a grandes transportadoras, nunca \u00e9 revelado o valor efetivamente subtra\u00eddo e, por vezes, o cliente n\u00e3o vai l\u00e1 reclamar. Por qu\u00ea? Porque \u00e9 valor n\u00e3o declarado, s\u00e3o recursos oriundos de corrup\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico, jogo de bicho, isso n\u00e3o s\u00f3 em moeda nacional, mas estrangeira tamb\u00e9m.\u201d Boudens desconfia at\u00e9 de guarda ilegal de armas e drogas nas bases fortes. \u201cComo n\u00e3o tem fiscaliza\u00e7\u00e3o, onde passa um boi, passa boiada\u201d, afirma o presidente da Fenapef.<\/p>\n<p><strong>Bunker de Geddel<\/strong><\/p>\n<p>O presidente do Sindicato dos Analistas do Banco Central (Sinal), Jordan Pereira, diz que a circula\u00e7\u00e3o indevida de grandes quantidades de valores em esp\u00e9cie \u2013 como os R$ 51 milh\u00f5es apreendidos em um apartamento cedido ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) em Salvador (BA) \u2013 est\u00e1 tamb\u00e9m relacionada \u00e0 falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o nas empresas de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cTransportadoras de valores que \u2018dormem\u2019 com uma grande quantidade de valores podem \u2018emprestar\u2019 esse dinheiro\u201d, afirmou ao comentar a situa\u00e7\u00e3o do aliado do presidente Michel Temer. Desde 2012, as empresas de guarda de valores passaram a prestar contas \u00e0 PF e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que fez 125 relat\u00f3rios a partir de 7 mil opera\u00e7\u00f5es suspeitas. Sob anonimado, um juiz especializado em lavagem disse ser preciso apurar se as firmas seguran\u00e7a fazem opera\u00e7\u00f5es de d\u00e9bito e cr\u00e9dito internamente, entre seus clientes, como indicam as apura\u00e7\u00f5es sobre S\u00e9rgio Cabral.<\/p>\n<p>Procuradas durante v\u00e1rios dias em quatro ocasi\u00f5es, as cinco empresas v\u00edtimas de roubos \u2013 Prosegur, Protege, Brinks, Rodoban e Servi-san \u2013 se negaram a prestar informa\u00e7\u00f5es ou conceder entrevistas. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transporte de Valores (ABTV) s\u00f3 se manifestou em nota em que informa que o setor investiu R$ 400 milh\u00f5es nos \u00faltimos cinco anos. E alega que a demora na presta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es se deve ao estado em que as bases fortes ficam ap\u00f3s as explos\u00f5es, o que tornaria \u201copera\u00e7\u00e3o complexa\u201d a contagem do dinheiro, \u201cque exige dedica\u00e7\u00e3o por at\u00e9 semanas da empresa e das autoridades\u201d. A associa\u00e7\u00e3o disse ser \u201cimportante definir o valor com o m\u00e1ximo de celeridade para que as seguradoras sejam acionadas, al\u00e9m de contribuir com as investiga\u00e7\u00f5es\u201d. A ABTV afirma que as unidades-fortes s\u00e3o fiscalizadas pela PF, que \u201crealiza anualmente vistorias t\u00e9cnicas em todas as bases\u201d e lembrou que faz comunica\u00e7\u00f5es ao Coaf.<\/p>\n<p><strong>Especializados<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da Fenapef, Lu\u00eds Boudens, afirma que existem quatro quadrilhas no Brasil com explos\u00f5es e roubando milh\u00f5es de reais de bases fortes de empresas de guarda e transporte de valores. O neg\u00f3cio lucrativo para a bandidagem usa t\u00e9cnicas do \u201cnovo canga\u00e7o\u201d do Norte e Nordeste, quando uma cidade inteira \u00e9 assaltada nos locais onde mais se circula dinheiro. Em 2017, parte das quadrilhas foi presa pela Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo. Um dos l\u00edderes foi detido depois do assalto em Uberaba (MG), segundo uma fonte. A ABTV culpa o tr\u00e1fico de armas e explosivos pelo aumento dos crimes desde 2015.<\/p>\n<p>Para Guaracy Mingardi, a lucratividade, o maior acesso a armamentos e o exaurimento do mercado de drogas s\u00e3o alguns dos incentivos para as explos\u00f5es das bases. Para prevenir e combater essa modalidade criminosa, ele e Boudens defendem mais integra\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edcias, controle maior de explosivos, melhora nos controles da empresas e at\u00e9 redu\u00e7\u00e3o da quantidade de dinheiro guardado por elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticias\/empresas-escondem-informacoes-sobre-roubos-de-r-343-milhoes-a-fortalezas-e-carros-fortes\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os bandidos chegam pela madrugada. Agem r\u00e1pido com dezenas de comparsas e ve\u00edculos, por vezes caminhonetes e at\u00e9 caminh\u00f5es. Fecham as ruas e isolam a regi\u00e3o. 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