{"id":19093,"date":"2022-03-24T14:22:28","date_gmt":"2022-03-24T14:22:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/?p=19093"},"modified":"2022-03-24T14:22:28","modified_gmt":"2022-03-24T14:22:28","slug":"a-mulher-e-o-mercado-de-trabalho-maes-que-trabalham-sao-as-principais-afetadas-pela-desigualdade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/a-mulher-e-o-mercado-de-trabalho-maes-que-trabalham-sao-as-principais-afetadas-pela-desigualdade-de-genero","title":{"rendered":"[A mulher e o mercado de Trabalho] M\u00e3es que trabalham s\u00e3o as principais afetadas pela desigualdade de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p>Uma parte das sa\u00eddas do mercado de trabalho se d\u00e1 pela maternidade. Os primeiros anos de vida da crian\u00e7a demandam cuidados e aten\u00e7\u00e3o &#8211; que costumam sobrecarregar muito mais as mulheres do que os homens, principalmente durante a amamenta\u00e7\u00e3o. Conciliar a vida pessoal, profissional e a maternidade, se tornou uma pauta constante, e por isso foi escolhida como tema da terceira mat\u00e9ria da s\u00e9rie de reportagens sobre a mulher e o mercado de Trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;A transforma\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is sociais e a desconstru\u00e7\u00e3o das concep\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero contribu\u00edram para consolida\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho. Com o passar dos anos, muitas prioridades mudaram para as mulheres, como por exemplo a de provedora e chefe de fam\u00edlia, fun\u00e7\u00e3o antes atribu\u00edda ao sexo masculino. Entretanto, essas mudan\u00e7as n\u00e3o foram acompanhadas de uma divis\u00e3o mais justa das tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados com a fam\u00edlia, em especial dos filhos, que continuam sendo realizadas majoritariamente por mulheres.<\/p>\n<p>&nbsp;Quando se trata do desenvolvimento infantil e da carreira profissional, \u00e9 necess\u00e1rio ressignificar a maternidade e a paternidade. Pois \u00e9 dif\u00edcil pensar no equil\u00edbrio entre trabalho e fam\u00edlia, principalmente em igualdade de g\u00eanero no trabalho, sem que os homens assumam a sua parte no trabalho dom\u00e9stico e nos cuidados com os filhos. &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;Na vida social, as mulheres s\u00e3o constantemente cobradas e julgadas com base em um padr\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1vel de vida materna, que costuma ditar como uma m\u00e3e deve ser, agir e cuidar dos seus filhos. No entanto, cada experi\u00eancia \u00e9 \u00fanica, como o nascimento de g\u00eameos, e a de um beb\u00ea prematuro. A idealiza\u00e7\u00e3o da maternidade influencia essa busca pela perfei\u00e7\u00e3o, sem considerar as limita\u00e7\u00f5es, o contexto socioecon\u00f4mico, o desgaste e a sobrecarga, romantizadas pela figura de mulher guerreira com um instinto naturalmente maternal.<\/p>\n<p>&nbsp;No mercado de trabalho, n\u00e3o \u00e9 muito diferente, pois as mulheres s\u00e3o julgadas pr\u00e9via e negativamente se s\u00e3o capazes de entregar resultados e manter o desempenho profissional enquanto cuidam de uma crian\u00e7a at\u00e9 mesmo antes de serem contratadas. Isso \u00e9 refletido a partir dos preconceitos e dos casos de discrimina\u00e7\u00e3o que acompanham a maternidade antes, durante e depois da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Faces da desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;Apesar da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista assegurar a prote\u00e7\u00e3o da mulher e da crian\u00e7a nos primeiros meses da vida do beb\u00ea, ainda n\u00e3o h\u00e1 um regulamento que garanta a perman\u00eancia da mulher no emprego depois da licen\u00e7a-maternidade. Estudo da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas indica que 48% das m\u00e3es ficam desempregadas nos primeiros 12 meses ap\u00f3s terem seus filhos. A maior parte das demiss\u00f5es ocorreram sem justa causa e por iniciativa do empregador.<\/p>\n<p>&nbsp;\u201cA maternidade, os filhos e os afazeres dom\u00e9sticos ainda pesam mais sobre as mulheres e demandam mais flexibilidade. A cultura organizacional ainda promove os profissionais baseada em crit\u00e9rios masculinos, como estar totalmente dispon\u00edvel ao trabalho ou trabalhar v\u00e1rias horas\u201d, analisou a pesquisa da FGV.<\/p>\n<p>&nbsp;Esse impacto \u00e9 absorvido principalmente por mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade econ\u00f4mica, sobretudo as m\u00e3es solo, que na aus\u00eancia de renda, se submetem ao trabalho informal, isento das prote\u00e7\u00f5es trabalhistas previstas na CLT.<\/p>\n<p>&nbsp;A servidora do TRT-10, L\u00edvia Maia, m\u00e3e de dois filhos, conta que \u00e9 &#8220;extremamente\u201d desafiador cuidar da casa, dos beb\u00eas, trabalhar e estudar ao mesmo tempo, mesmo com aux\u00edlio paterno, ou de outras pessoas. \u201c\u00c9 fazer o que d\u00e1 para ser feito, um pouquinho por dia. Muitas vezes voc\u00ea vai fazer s\u00f3 as coisas pela metade e a\u00ed \u00e9 aprender a lidar com os v\u00e1rios pratinhos na vida e tentar equilibr\u00e1-los de uma forma que por mais que eles rodem devagar, eles n\u00e3o parem de girar\u201d, define.<\/p>\n<p><strong>Dificuldades da reinser\u00e7\u00e3o &nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;Al\u00e9m das inseguran\u00e7as de retornar ao trabalho ap\u00f3s a licen\u00e7a-maternidade, as m\u00e3es ainda tem de lidar com conflitos internos, que poderiam ser minimizados com a exist\u00eancia de um ambiente de trabalho inclusivo, que forne\u00e7a suporte como creches ou aux\u00edlio-creches; lact\u00e1rios; e que possibilitem o modelo de teletrabalho e uma rotina de hor\u00e1rios mais flex\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;\u201cA gente tem aquela liga\u00e7\u00e3o muito forte quando o filho \u00e9 novinho. \u00c9 como se demorasse para o cord\u00e3o umbilical psicol\u00f3gico ser cortado\u201d, relata L\u00edvia. \u201c\u00c9 essa dicotomia, de voc\u00ea retornar \u00e0s atividades que te fazem bem e que te preenchem como mulher e pessoa, e por outro lado voc\u00ea sentir aquela necessidade, aquela vontade de estar mais perto do seu filho nesse in\u00edcio da vida. Acho que ao mesmo tempo que voc\u00ea deseja retornar \u00e0s suas atividades tamb\u00e9m h\u00e1 essa vontade de poder passar mais tempo com os beb\u00eas\u201d, explica a servidora.<\/p>\n<p><strong>Agenda 2030&nbsp; &nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;O combate \u00e0 desigualdade de g\u00eanero e o empoderamento de mulheres e meninas \u00e9 o objetivo n\u00ba 5 da Agenda 2030 &#8211; um plano de a\u00e7\u00e3o global da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), implementada no Judici\u00e1rio a partir da Meta Nacional 9 do CNJ. A agenda re\u00fane 17 objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel (ODS) e 169 metas, que visam garantir os direitos humanos de todos.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3xima reportagem&nbsp;&nbsp;<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;As mat\u00e9rias desta s\u00e9rie ser\u00e3o divulgadas ao longo de todo o m\u00eas de mar\u00e7o, semanalmente, sempre \u00e0s ter\u00e7as-feiras. Na pr\u00f3xima semana, a quarta e \u00faltima reportagem abordar\u00e1 a equidade e a igualdade de g\u00eanero. Acompanhe no site do Tribunal.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Jeovana Carvalho)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma parte das sa\u00eddas do mercado de trabalho se d\u00e1 pela maternidade. Os primeiros anos de vida da crian\u00e7a demandam cuidados e aten\u00e7\u00e3o &#8211; que costumam sobrecarregar muito mais as mulheres do que os homens, principalmente durante a amamenta\u00e7\u00e3o. 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