{"id":392,"date":"2014-11-21T12:31:15","date_gmt":"2014-11-21T12:31:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=392"},"modified":"2014-11-21T12:31:15","modified_gmt":"2014-11-21T12:31:15","slug":"doencas-psiquiatricas-e-ortopedicas-lideram-licencas-trabalhistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias-para-a-categoria\/doencas-psiquiatricas-e-ortopedicas-lideram-licencas-trabalhistas","title":{"rendered":"Doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas e ortop\u00e9dicas lideram licen\u00e7as trabalhistas"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o apenas os acidentes de trabalho os principais respons\u00e1veis pelo afastamento de profissionais de suas atividades. Al\u00e9m de fraturas em pernas, punhos e bra\u00e7os, as dores cr\u00f4nicas na coluna e articula\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas est\u00e3o entre as que mais geram incapacidade para o trabalho, conforme dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Bauru.<\/p>\n<p>Segundo o \u00f3rg\u00e3o, somente neste ano foram concedidos na cidade 2.277 pagamentos de aux\u00edlio-doen\u00e7a &#8211; benef\u00edcio concedido pelo Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social a quem recebe atestado m\u00e9dico por mais de 15 dias consecutivos. Afora os problemas ortop\u00e9dicos, trabalhadores com dist\u00farbios mentais como depress\u00e3o, esquizofrenia e s\u00edndrome do p\u00e2nico frequentemente precisam se afastar de suas fun\u00e7\u00f5es para receber tratamento. Em 2011, o pagamento do benef\u00edcio em Bauru j\u00e1 gerou custo de R$ 2,2 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O afastamento por patologia ortop\u00e9dica, na maioria das vezes, atinge profissionais que desempenham atividades que demandam esfor\u00e7o f\u00edsico ou posturas antiergon\u00f4micas, como \u00e9 o caso do setor da constru\u00e7\u00e3o civil. J\u00e1 a incapacidade devido a doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas predomina em grupos de trabalhadores que desenvolvem atividades administrativas ou de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Uma das causas mais frequentes de afastamento em anos anteriores, o Dist\u00farbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (Dort, tamb\u00e9m conhecido como LER e provocado por movimentos repetitivos que podem provocar les\u00f5es em tend\u00f5es, m\u00fasculos e articula\u00e7\u00f5es) \u00e9 um problema que vem sendo contornado, embora ainda seja uma amea\u00e7a aos trabalhadores e \u00e0s empresas. \u201cObservamos diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia de benef\u00edcios concedidos por Dort a partir de 2007, talvez devido ao aprimoramento da atua\u00e7\u00e3o das empresas na preven\u00e7\u00e3o dessa patologia\u201d, considera Marina de Oliveira Fernandes, chefe m\u00e9dica do servi\u00e7o de sa\u00fade do trabalhador do INSS de Bauru.<\/p>\n<p>Em lugar desta disfun\u00e7\u00e3o, outros problemas ortop\u00e9dicos como lombalgias (dores nas costas), h\u00e9rnia, artrite e artrose, entre outras doen\u00e7as articulares, tomaram a frente do ranking junto \u00e0s fraturas provocadas por acidentes de trabalho. No aquecido setor da constru\u00e7\u00e3o civil, por exemplo, o \u00edndice de afastamento por estes motivos sofreu uma sens\u00edvel eleva\u00e7\u00e3o, conforme aponta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil e do Mobili\u00e1rio de Bauru, Cl\u00e1udio da Silva Gomes.<\/p>\n<p>\u201cE n\u00e3o foi apenas pelo aumento do n\u00famero de trabalhadores, mas tamb\u00e9m pelo aumento da quantidade e do ritmo de trabalho. Os aut\u00f4nomos est\u00e3o aproveitando o momento para assumir o maior n\u00famero de contratos, enquanto os que s\u00e3o empregados se veem for\u00e7ados a cumprir prazos menores para suprir a car\u00eancia de m\u00e3o de obra em outras obras\u201d, detalha.<br \/>\nMente em xeque<\/p>\n<p>Mas, ainda que as doen\u00e7as ortop\u00e9dicas sejam um problema grave para a atividade econ\u00f4mica, os dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos est\u00e3o afetando cada vez mais a classe trabalhadora. Seja por inadequa\u00e7\u00e3o ao cargo assumido ou \u00e0 filosofia da empresa, passando pela dificuldade em lidar com as press\u00f5es do mundo corporativo, as doen\u00e7as mentais podem desencadear quadros considerados graves, entre eles s\u00edndrome do p\u00e2nico, depress\u00e3o e at\u00e9 esquizofrenia.<\/p>\n<p>\u201cO ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es ou um n\u00edvel de exig\u00eancia muito alto em rela\u00e7\u00e3o ao desempenho tamb\u00e9m podem gerar um estresse prolongado, que chamamos de s\u00edndrome de Burnout. Mas vale ressaltar que algumas pessoas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis do que outras \u00e0s doen\u00e7as, por condi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas ou at\u00e9 mesmo por aspectos relacionados \u00e0 personalidade\u201d, assinala a psic\u00f3loga Luciana Silva Zanelato. Ela elenca ainda como quadros de sa\u00fade frequentes entre trabalhadores a s\u00edndrome de ansiedade, a ins\u00f4nia e a fadiga.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, o trabalho noturno tamb\u00e9m colabora para o aparecimento de desordens f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, j\u00e1 que, neste caso, o organismo precisa trabalhar num per\u00edodo diverso do de sua natureza. \u201cFomos programados, ao longo do nosso processo evolutivo, para descansar \u00e0 noite. Ent\u00e3o, a qualidade do sono fica prejudicada para quem trabalha neste per\u00edodo, o que pode refletir no desempenho profissional e equil\u00edbrio mental daquela pessoa\u201d, frisa.<\/p>\n<p>Chorava sozinho atr\u00e1s do escudo\u2019, diz vigilante que trabalha em banco<\/p>\n<p>H\u00e1 um m\u00eas o vigilante Evandro Ant\u00f4nio Deraco, 35 anos, conseguiu retornar ao trabalho. Ap\u00f3s ser diagnosticado com depress\u00e3o, ele permaneceu por quatro meses afastado de suas fun\u00e7\u00f5es em uma institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria da cidade para tratar da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda com alguma dificuldade de retomar sua rotina profissional, ele acabou assumindo um posto com o qual n\u00e3o precisa lidar com a clientela. \u201cFicar longe das pessoas \u00e9 o que est\u00e1 me ajudando. N\u00e3o sei o que seria se eu tivesse que conviver com gerente, gente reclamando de porta girat\u00f3ria\u201d, comenta, dando sinais claros de que ainda n\u00e3o est\u00e1 completamente recuperado.<\/p>\n<p>Antes de ser afastado, Deraco conta que sofria com crises de choro constantes durante a jornada e, sem for\u00e7as para lutar contra aquela condi\u00e7\u00e3o, tentava disfar\u00e7ar o quanto podia. \u201cEu chorava sozinho, me escondendo atr\u00e1s do escudo (que os vigilantes usam no trabalho). Ficava pensando o tempo todo que a ag\u00eancia seria invadida por ladr\u00f5es. Chegava em casa e n\u00e3o queria conversar com ningu\u00e9m, n\u00e3o tinha paci\u00eancia com meus filhos e demorava para conseguir dormir\u201d, relembra o vigilante, que est\u00e1 h\u00e1 quatro anos na profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como ele, de acordo com Jos\u00e9 Antonio de Sena, diretor-presidente do Sindicato dos Vigilantes de Bauru, h\u00e1 um grande n\u00famero de profissionais da categoria afastados por doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas na cidade. Por lidarem com a imin\u00eancia de perigo constante, sofrem com maior tens\u00e3o e estresse que os demais profissionais.<\/p>\n<p>\u201cEles tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas de problemas ortop\u00e9dicos porque, muitas vezes, n\u00e3o podem descansar. Algumas empresas, por exemplo, obrigam os funcion\u00e1rios a trabalhar 12 horas em p\u00e9, enquanto deveriam dar direito a descanso de 10 minutos a cada hora. Eles n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas\u201d, reclama.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos vigilantes, segundo a psic\u00f3loga Luciana Silva Zanelato, s\u00e3o mais suscet\u00edveis aos problemas psiqui\u00e1tricos os trabalhadores que desempenham fun\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, como o setor administrativo, bem como profissionais da sa\u00fade, policiais militares, bombeiros, motoristas e professores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nFonte: Jornal da Cidade &#8211; Bauru (SP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o apenas os acidentes de trabalho os principais respons\u00e1veis pelo afastamento de profissionais de suas atividades. 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