{"id":591,"date":"2014-11-21T13:36:19","date_gmt":"2014-11-21T13:36:19","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=591"},"modified":"2014-11-21T18:23:50","modified_gmt":"2014-11-21T18:23:50","slug":"movimentos-sociais-querem-ampliar-cobrancas-sobre-governo-e-parlamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias-para-a-categoria\/movimentos-sociais-querem-ampliar-cobrancas-sobre-governo-e-parlamento","title":{"rendered":"Movimentos sociais querem ampliar cobran\u00e7as sobre governo e parlamento"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/14102985729.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-592\" src=\"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/14102985729-300x200.jpg\" alt=\"14102985729\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/14102985729-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/14102985729.jpg 448w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Centro do debate nesses primeiros dias ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do resultado das elei\u00e7\u00f5es, a economia n\u00e3o ser\u00e1 o \u00fanico desafio a tirar o sossego dos governantes que assumirem em 1\u00ba de janeiro. Independentemente do apoio dado durante o pleito, organiza\u00e7\u00f5es sociais prometem intensificar a vigil\u00e2ncia e a press\u00e3o sobre a presidenta reeleita Dilma Rousseff, sobre governadores e parlamentares para ver atendidas suas reivindica\u00e7\u00f5es e impedir o que classificam de &#8220;retrocessos em direitos sociais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Vemos os pr\u00f3ximos anos como de muitos riscos para os direitos das mulheres e para tudo o que conquistamos com muita luta nos \u00faltimos 30 anos. Nossa expectativa \u00e9 de resist\u00eancia&#8221;, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a diretora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Guacira Oliveira. A preocupa\u00e7\u00e3o do movimento femininista diz respeito n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mulheres eleitas para o Congresso Nacional e para chefiar os executivos estaduais, mas, principalmente, com a nova composi\u00e7\u00e3o do Parlamento, classificado pelo Cfemea como uma legislatura mais &#8220;reacion\u00e1ria, conservadora, anti-igualit\u00e1ria e fundamentalista&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esse sistema pol\u00edtico, imperme\u00e1vel ao ingresso das mulheres, favorece os segmentos menos compromissados com a consolida\u00e7\u00e3o de um poder democr\u00e1tico, com participa\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria feminina&#8221;, defendeu Guacira. &#8220;Por isso, lutaremos pela reforma do sistema pol\u00edtico, al\u00e9m de continuar cobrando nossas outras bandeiras: direitos sexuais ou reprodutivos, descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres, regulamenta\u00e7\u00e3o da lei do trabalho dom\u00e9stico e das pol\u00edticas p\u00fablicos relativas \u00e0 infraestrutura de cuidado, como creches e albergues para cuidados com idosos&#8221;, completou.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 mencionada por representantes ind\u00edgenas e indigenistas. &#8220;O resultado das elei\u00e7\u00f5es nos deixou mais preocupados devido ao fortalecimento de setores econ\u00f4micos contr\u00e1rios aos povos ind\u00edgenas e seus direitos. A julgar pela nova composi\u00e7\u00e3o [do Congresso], o indicativo \u00e9 que, no Poder Legislativo e nos estados, o processo de ataque [aos povos ind\u00edgenas] que caracterizou os \u00faltimos anos se aprofunde&#8221;, declarou o secret\u00e1rio executivo do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), Cl\u00e9ber Buzatto.<\/p>\n<p>Sobre a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma, o dirigente do Cimi disse que espera novos posicionamentos. &#8220;Ainda alimentamos a esperan\u00e7a de que, em seu segundo mandato, a presidenta mude em rela\u00e7\u00e3o aos temas que envolvem estrutura fundi\u00e1ria. Que retome o curso de reconhecimento e homologa\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e quilombolas e a reforma agr\u00e1ria&#8221;, disse Cl\u00e9ber.<\/p>\n<p>Desde o fim do regime militar, em 1985, o governo Dilma foi o que menos homologou terras ind\u00edgenas, segundo o Cimi. &#8220;Esperamos que a presidenta tenha a sabedoria para perceber que n\u00e3o ser\u00e1 alimentando os setores conservadores que conseguir\u00e1 implementar mudan\u00e7as estruturantes urgentes. Se as urnas mostraram algo foi que, por mais que o governo federal tenha agradado ao agroneg\u00f3cio, paralisando a demarca\u00e7\u00e3o de terras tradicionais e a reforma agr\u00e1ria e subsidiando a atividade, nos estados em que o agroneg\u00f3cio \u00e9 forte [Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por exemplo] a presidenta perdeu as elei\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Cl\u00e9ber, destacando a import\u00e2ncia da reforma pol\u00edtica. &#8220;J\u00e1 no campo da economia, que tanto destaque tem recebido, buscar solu\u00e7\u00f5es exclusivamente no mercado financeiro e nos bancos nos parece uma sinaliza\u00e7\u00e3o negativa.&#8221;<\/p>\n<p>Para o soci\u00f3logo e diretor do Instituto Brasileiro de An\u00e1lises Sociais e Econ\u00f4micas (Ibase), C\u00e2ndido Grzybowski, o resultado das urnas indica que a popula\u00e7\u00e3o reconhece importantes conquistas recentes, mas cobra mudan\u00e7as. Em nota, Grzybowski avalia que, mesmo frustrados com o que consideram um modelo de desenvolvimento incapaz de promover reformas estruturais, setores organizados da sociedade civil se engajaram na disputa e ajudaram a consolidar a vit\u00f3ria de Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a reelei\u00e7\u00e3o por uma pequena margem de 3,5% precisa ser vista como um pedido de mais e n\u00e3o simplesmente do mesmo [.] Demandamos um reformismo mais consistente, mais transformador [.] A cidadania militante, despertada neste segundo turno, quer as mudan\u00e7as esperadas que ainda n\u00e3o aconteceram. Se o poder constitu\u00eddo saber\u00e1 se sintonizar com a cidadania reivindicante \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto&#8221;, afirma Grzybowski.<\/p>\n<p>Para o assessor de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Greenpeace, Pedro Telles, a sociedade precisa se mobilizar para garantir avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da qualidade ambiental. Segundo ele, o Greenpeace vai manter &#8220;a mesma postura cr\u00edtica dos \u00faltimos quatro anos&#8221;. Em nota, a organiza\u00e7\u00e3o afirma que o pa\u00eds retrocedeu em termos de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, pois optou por priorizar os investimentos em combust\u00edveis f\u00f3sseis, em detrimento de fontes renov\u00e1veis; anistiou quem destruiu o meio ambiente por meio da promulga\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal; interrompeu o ciclo de redu\u00e7\u00e3o do desmatamento da Amaz\u00f4nia e criou menos unidades de conserva\u00e7\u00e3o que em governos anteriores. &#8220;L\u00f3gico que, nos pr\u00f3ximos quatro anos, isso pode mudar e essa \u00e9 nossa esperan\u00e7a. Mas o que vemos \u00e9 um cen\u00e1rio muito semelhante e preocupante, no qual teremos que continuar lutando muito n\u00e3o s\u00f3 para que tenhamos avan\u00e7os, mas para evitar retrocessos.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das coordenadoras da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), Isolete Wichinieski tamb\u00e9m considera que, para os trabalhadores rurais e as comunidades tradicionais, \u00e9 grande a amea\u00e7a de retrocessos legislativos. &#8220;No Congresso Nacional e nas assembleias estaduais foram eleitas pessoas muito conservadoras. Por isso, prevemos dificuldades para manter os direitos constitucionais j\u00e1 assegurados aos trabalhadores do campo e conquistarmos novos avan\u00e7os. A regulamenta\u00e7\u00e3o do conceito de trabalho escravo, por exemplo, vai se tornar ainda mais dif\u00edcil. Os movimentos sociais poder\u00e3o ser ainda mais criminalizados e reprimidos. O que amplia as chances de um acirramento dos embates. At\u00e9 porque, para n\u00f3s, a articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Congresso ficar\u00e1 ainda mais dif\u00edcil. Por isso, acreditamos que os pr\u00f3ximos anos ser\u00e3o de muita e intensa luta.&#8221;<\/p>\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destaca a luta por uma Assembleia Constituinte exclusiva, pela reforma agr\u00e1ria, pelo assentamento de mais de 120 mil fam\u00edlias de trabalhadores do campo que, hoje, vivem acampadas em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e pela democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar do atendimento \u00e0s pautas dos movimentos sociais estarem aqu\u00e9m do esperado &#8211; e basta ver os n\u00fameros da reforma agr\u00e1ria dos \u00faltimos quatro anos &#8211; fomos fundamentais para garantir a vit\u00f3ria de Dilma. Agora, seguiremos somando for\u00e7as e ocupando latif\u00fandios por uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria. O grande desafio para os movimentos sociais \u00e9 seguir lutando por reformas estruturantes&#8221;, disse Alexandre Concei\u00e7\u00e3o, um dos coordenadores do MST no site da entidade.<br \/>\nFonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro do debate nesses primeiros dias ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do resultado das elei\u00e7\u00f5es, a economia n\u00e3o ser\u00e1 o \u00fanico desafio a tirar o sossego dos governantes que assumirem em 1\u00ba de janeiro. 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