{"id":7024,"date":"2015-02-11T16:52:40","date_gmt":"2015-02-11T16:52:40","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=7024"},"modified":"2015-02-11T16:52:40","modified_gmt":"2015-02-11T16:52:40","slug":"polissia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/divirta-se\/polissia","title":{"rendered":"Polissia"},"content":{"rendered":"<div class=\"par\">\n<p>Em Polissia (Polisse), a cineasta Ma\u00efwenn \u2013 pr\u00eamio do J\u00fari do Festival de Cannes \u2013 pinta um quadro estarrecedor da sordidez humana, ao focalizar o dia a dia de um \u00f3rg\u00e3o policial franc\u00eas, que cuida de crimes contra menores, com penas previstas, nos termos do C\u00f3digo Penal, de at\u00e9 vinte anos de cadeia. Os casos s\u00e3o, \u00e0s vezes, t\u00e3o escabrosos, muitos deles ocorridos no \u00e2mbito da \u201csagrada fam\u00edlia\u201d, que contagiam o estado de \u00e2nimo dos pr\u00f3prios policiais e causam perturbadores reflexos em suas vidas amorosas e na atividade profissional.<\/p>\n<p>T\u00e3o atordoante quanto Entre Os Muros da Escola (2008), de Laurent Cantet, o filme \u00e9, da mesma forma, baseado em fatos reais, de fei\u00e7\u00e3o, portanto, documental, mas com o assumido car\u00e1ter de fic\u00e7\u00e3o. Foi rodado com a c\u00e2mera manual de Pierre A\u00efm, bastante intimista e quase constantemente tr\u00eamula. O roteiro, escrito por Ma\u00efwenn, em colabora\u00e7\u00e3o com Emmanuelle Bercot, fundamenta seu entrecho na chegada \u00e0 Brigada de Prote\u00e7\u00e3o a Menores (BPM) da fot\u00f3grafa Melissa (Ma\u00efwenn) para documentar a miss\u00e3o dos estressados policiais, integrantes da corpora\u00e7\u00e3o, vinculada ao Minist\u00e9rio do Interior.<\/p>\n<p>O que Melissa vai verificar, mas sem tomar posi\u00e7\u00e3o, sequer de narradora \u2013 uma das falhas do roteiro -, \u00e9 que o sistema de prote\u00e7\u00e3o ao menor est\u00e1 contaminado por uma s\u00e9rie de fatores, que v\u00e3o desde o exagero da legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica at\u00e9 \u00e0 maneira torpe, arbitr\u00e1ria, pela qual os policiais desejam faz\u00ea-la cumprir, a ferro e fogo. N\u00e3o t\u00eam eles no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 impor autoridade. Talvez por isso a grafia do t\u00edtulo seja errada, tomada de empr\u00e9stimo, por sinal, de um escrito do filho da diretora, em fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Sem conhecer o princ\u00edpio universal, de que, a priori (ou at\u00e9 que surja prova em contr\u00e1rio), todos s\u00e3o inocentes, atuam os inquiridores aos berros, ofendem os inquiridos com palavr\u00f5es e, \u00e0s vezes, at\u00e9 os esbofeteiam. O clima \u00e9 de muita tens\u00e3o e de irregularidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fotoleg_d\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.politicaparapoliticos.com.br\/resources\/imagens\/interna\/26879-polissia-intt.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p>S\u00e3o duas crian\u00e7as que questionam, inicialmente, o sistema: a primeira \u00e9 filha de um dos policiais, que, \u00e0 noite, antes de se deitar, indaga do pai o significado de \u201cpedofilia\u201d, palavra por ela frequentemente ouvida nas conversa\u00e7\u00f5es em casa. Ao obter a resposta de que se trata de uma doen\u00e7a que leva um adulto a abusar de um menor, ela pergunta: &#8211; se for assim, n\u00e3o seria mais apropriado encaminhar o doente a um hospital?&#8230; N\u00e3o para a cadeia, acrescenta. Outra crian\u00e7a, molestada por um professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, ao saber da puni\u00e7\u00e3o que ele poderia sofrer, pede \u00e0 autoridade que isso n\u00e3o aconte\u00e7a sob o argumento de que \u00e9 um mestre muito bom e a trata com afei\u00e7\u00e3o. Ao final, essa mesma crian\u00e7a, mais crescida, demonstra estar apta a se tornar uma grande ginasta.&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das sequ\u00eancias mais tocantes \u00e9 a da chegada \u00e0 BPM de uma africana, que deseja dar o filho de oito anos aos policiais, pois n\u00e3o quer que ele continue dormindo com ela ao relento. Agitados, os agentes procuram em v\u00e3o conseguir abrigo para ambos. A solu\u00e7\u00e3o que aventam \u00e9 a mesma sugerida pela pedinte, ou seja, ela continuar\u00e1 dormindo nas sarjetas, enfrentando as noites geladas, enquanto a crian\u00e7a ser\u00e1 recolhida a um asilo. S\u00f3 n\u00e3o preveem eles a rea\u00e7\u00e3o discordante do garoto, que, no desespero, aos gritos, insiste em n\u00e3o se separar da m\u00e3e. \u00c9 nessa sequ\u00eancia que a dire\u00e7\u00e3o de Ma\u00efwenn fraqueja para ceder espa\u00e7o a certo pieguismo por meio da rea\u00e7\u00e3o de um dos policiais, dos mais neur\u00f3ticos do grupo.<\/p>\n<p>A grande for\u00e7a do filme n\u00e3o est\u00e1 no roteiro, nem na dire\u00e7\u00e3o de Ma\u00efwenn, que tamb\u00e9m n\u00e3o se destaca como int\u00e9rprete de Melissa, mas na trilha sonora de Stephen Warbeck e nas interpreta\u00e7\u00f5es das demais personagens. O conjunto \u00e9 harmonioso e afinad\u00edssimo. No desejo de Ma\u00efwenn de conferir o m\u00e1ximo de autenticidade ao filme, ela consegue extrair dos atores um trabalho eficient\u00edssimo, que, apoiado em s\u00e1bias improvisa\u00e7\u00f5es, quase chega \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Reynaldo Domingos Ferreira<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fichatecnica\">\n<h6 class=\"cartola_a\">Dados t\u00e9cnicos<\/h6>\n<p class=\"par\">T\u00edtulo: Polissia<br \/>\nDiretor: Ma\u00efwenn<br \/>\nElenco: Karin Viard (Nadine), Joey Stard (Fred), Marina Fo\u00efs (Iris), Nicolas Duvauchelle (Mathieu), Ma\u00efwenn (Melissa), Karole Rocher (Chris), Emmanuelle Bercot (Sue Ellen), Riccardo Scarmacio (Francesco).<br \/>\nPa\u00eds\/ano: Fran\u00e7a\/2011<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 2h07min<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Polissia (Polisse), a cineasta Ma\u00efwenn \u2013 pr\u00eamio do J\u00fari do Festival de Cannes \u2013 pinta um quadro estarrecedor da sordidez humana, ao focalizar o dia a dia de um \u00f3rg\u00e3o policial franc\u00eas, que cuida de crimes contra menores, com penas previstas, nos termos do C\u00f3digo Penal, de at\u00e9 vinte anos de cadeia. 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