{"id":7056,"date":"2015-02-11T17:02:12","date_gmt":"2015-02-11T17:02:12","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=7056"},"modified":"2015-02-11T17:02:12","modified_gmt":"2015-02-11T17:02:12","slug":"elefante-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/divirta-se\/elefante-branco","title":{"rendered":"Elefante Branco"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"titulo\">O altru\u00edsmo de dois sacerdotes na periferia de Buenos Aires<\/h1>\n<div class=\"thfilme\">N\u00e3o \u00e9 de f\u00e1cil convencimento a abordagem, na literatura ou no cinema, da quest\u00e3o do altru\u00edsmo crist\u00e3o, como o pretendeu o cineasta Pablo Trapero, em Elefante Branco (Elefante Blanco), selecionado para a mostra Un Certain R\u00e9gard do Festival de Cannes deste ano, apesar de contar com a colabora\u00e7\u00e3o de dois excepcionais int\u00e9rpretes: Ricardo Dar\u00edn e J\u00e9r\u00e9mie Renier, que est\u00e3o bem, mas n\u00e3o em seus melhores momentos.<\/div>\n<div class=\"thfilme\"><\/div>\n<div class=\"par\">\n<p>Seus pap\u00e9is s\u00e3o os de dois padres, Juli\u00e1n e Nicol\u00e1, mergulhados no inferno de uma favela \u2013 Villa Virgen \u2013 na periferia de Buenos Aires, de 15 mil habitantes, dominada pelo narcotr\u00e1fico, uma horrenda mazela social que a Argentina n\u00e3o faz quest\u00e3o de divulgar.<\/p>\n<p>A vila se formou, desde a d\u00e9cada de trinta, em torno do esqueleto de um edif\u00edcio destinado a abrigar um hospital que, segundo a idealiza\u00e7\u00e3o de seu construtor, Alfredo Pal\u00e1cios, deveria ser o maior da Am\u00e9rica Latina. Na atualidade, residem nele perto de 300 fam\u00edlias em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fotoleg_d\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.politicaparapoliticos.com.br\/resources\/imagens\/interna\/27165-efenate-intt.jpg\" alt=\"\" align=\"middle\" \/><\/div>\n<div class=\"fotoleg_d\"><\/div>\n<div class=\"par\">Os sacerdotes, origin\u00e1rios de fam\u00edlias ricas da Fran\u00e7a, que, em outros tempos, foram colegas no semin\u00e1rio &#8211; um tendo sido confessor do outro -, querem atenuar os problemas da gente pobre que os cerca. Acontece, por\u00e9m, que, ante a sua in\u00e1bil atua\u00e7\u00e3o, eles contrariam n\u00e3o s\u00f3 os traficantes, como tamb\u00e9m a Igreja, cuja c\u00fapula representativa se mostra conivente com a corrupta a\u00e7\u00e3o policial na localidade.<\/div>\n<div class=\"par\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trapero (Abutres), tamb\u00e9m um dos autores do roteiro &#8211; que s\u00e3o quatro ou cinco -, abarca variados temas paralelos, como: a campanha pela canoniza\u00e7\u00e3o do padre Carlos Mugica, criador da primeira capela na comunidade; um projeto imobili\u00e1rio de constru\u00e7\u00e3o de vivendas, tocado pelo bispado; o abalo da f\u00e9 de Juli\u00e1n ante a percep\u00e7\u00e3o da inutilidade de sua luta e, al\u00e9m disso, os tormentos da carne de Nicol\u00e1, causados por uma assistente social, Luciana (Martina Gusman).O resultado previs\u00edvel n\u00e3o poderia ser outro sen\u00e3o o da superficialidade com que todos os assuntos s\u00e3o tratados. E, pior, com certo sabor de falsidade. Do lado do roteiro, portanto, \u00e9 isso o que se tem.<\/p>\n<p>Mas, do lado da dire\u00e7\u00e3o, o trabalho de Trapero \u00e9, sem d\u00favida, mais elogi\u00e1vel, principalmente pelos recursos de linguagem que ele usa com muita propriedade. Note-se, por exemplo, a const\u00e2ncia com que ele capta, pela excelente fotografia de Guillermo Nieto, cenas em plano-sequ\u00eancia de eficiente efeito dram\u00e1tico, como a da chegada dos dois religiosos \u00e0 favela, em que, pelo deslocar da embarca\u00e7\u00e3o, que os traz, se descortina, em impressionante quadro panor\u00e2mico, a mis\u00e9ria do lugar.<\/p>\n<p>Ao tomar ci\u00eancia, no pr\u00f3logo, por exame de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, de ser portador de uma doen\u00e7a terminal, o padre Juli\u00e1n vai \u00e0 procura de seu ex-colega Nicol\u00e1, que se encontra gravemente ferido num vilarejo, na Amaz\u00f4nia. Ele sobrevivera a uma chacina perpetrada por policiais contra colonos, moradores de um ajuntamento de cabanas no meio da floresta, sem que lhes pudesse prestar qualquer ajuda .<\/p>\n<p>Muito debilitado, f\u00edsica e moralmente, Nicol\u00e1, sem saber da situa\u00e7\u00e3o verdadeira de Juli\u00e1n, aceita seu convite para se integrar \u00e0 vida de Villa Virgen. Na ess\u00eancia, portanto, o argumento do pouco convincente filme de Trapero se centraliza na tentativa do padre Nicol\u00e1 de moldar a sua alma \u00e0s dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es locais. Os dois int\u00e9rpretes dos protagonistas, como j\u00e1 foi dito, est\u00e3o razoavelmente bem. Ao que se evidencia, contudo, J\u00e9remie Renier se entregou mais \u00e0 sua personagem do que Dar\u00edn, que continuou , a todo tempo, sendo ele mesmo.<\/p>\n<p><strong>Reynaldo Domingos Ferreira<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fichatecnica\">\n<h6 class=\"cartola_a\">Dados t\u00e9cnicos<\/h6>\n<p class=\"par\">T\u00edtulo: Elefante Branco<br \/>\nDiretor: Pablo Trapero<br \/>\nElenco: Ricardo Dar\u00edn (Juli\u00e1n), J\u00e9r\u00e9mie Renier (Nicol\u00e1), Martina Gusman (Luciana), Pablo Gatti (Sandoval), Susana Varela (Carmelita), Raul Ramos (Bispo)<br \/>\nPa\u00eds\/ano: Argentina, Espanha, B\u00e9lgica\/2012<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 107 minutos<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O altru\u00edsmo de dois sacerdotes na periferia de Buenos Aires N\u00e3o \u00e9 de f\u00e1cil convencimento a abordagem, na literatura ou no cinema, da quest\u00e3o do altru\u00edsmo crist\u00e3o, como o pretendeu o cineasta Pablo Trapero, em Elefante Branco (Elefante Blanco), selecionado para a mostra Un Certain R\u00e9gard do Festival de Cannes deste ano, apesar de contar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-7056","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-divirta-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7056"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7056\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7057,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7056\/revisions\/7057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}