{"id":7213,"date":"2015-02-16T20:27:48","date_gmt":"2015-02-16T20:27:48","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=7213"},"modified":"2015-02-16T20:27:48","modified_gmt":"2015-02-16T20:27:48","slug":"margaridas-somos-todas-nos-100-mil-marcham-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/sem-categoria\/margaridas-somos-todas-nos-100-mil-marcham-em-brasilia","title":{"rendered":"Margaridas somos todas n\u00f3s&#8217;: 100 mil marcham em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<div id=\"content\">\n<div id=\"miolo\">\n<div id=\"conteudo_miolo\">\n<p><em>Mulheres do campo e da floresta cobram respostas do poder p\u00fablico<\/em><\/p>\n<div><\/div>\n<div><em>Tatiana Melim e Luiz Carvalho, especial para a Rede Brasil Atual<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Bras\u00edlia &#8211; &#8220;Melhor morrer de luta do que morrer de fome, Margarida, Margarida, esse \u00e9 seu nome&#8221;, dizia uma das m\u00fasicas que cantavam. E elas vieram em peso. Mais de 100 mil trabalhadoras do Norte ao Sul do pa\u00eds, do campo e da floresta, deixaram a Cidade da Margaridas, no Parque da Cidade, em Bras\u00edlia, onde estavam acampadas, e colocaram o p\u00e9 na estrada logo \u00e0s 7 da manh\u00e3 para compor a maior manifesta\u00e7\u00e3o de mulheres da Am\u00e9rica Latina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Antes mesmo disso, por\u00e9m, j\u00e1 estavam de p\u00e9. Ansiosas, muitas j\u00e1 levantavam \u00e0s 3h do ch\u00e3o de terra, forrado de lonas pretas, para arrumar as fileiras dos colchonetes e dos cobertores, onde dormiram.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi necess\u00e1rio muito esp\u00edrito solid\u00e1rio e coletivo. Eram milhares e milhares de mulheres que se revezavam para tomar banho com \u00e1gua gelada que saia de canos rachados pela alta demanda por \u00e1gua. O ch\u00e3o, todo molhado e, na maior parte da noite, sujo de barro, fez com que essas mulheres tivessem que ajudar umas as outras para segurar toalhas e roupas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na hora de se alimentar, a fila para retirar a refei\u00e7\u00e3o era muito grande. Muitas mulheres precisaram aguardar cerca de duas horas para poder comer as por\u00e7\u00f5es de arroz, feij\u00e3o e frango ou carne. Essencial para muitas,como Maria do Nascimento, de 58 anos, do Rio Grande do Norte, que passou 2 dias no \u00f4nibus para chegar \u00e0 cidade das margaridas e n\u00e3o tinha dinheiro para gastar na capital federal. &#8220;N\u00e3o foi f\u00e1cil chegar aqui. Eu estou na marcha porque eu sou uma margarida tamb\u00e9m, pois sei que ela, a Margarida Alves, lutou muito por n\u00f3s e eu quero continuar essa luta tamb\u00e9m&#8221; explicou.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2><em>Hist\u00f3rias de luta\u00a0<\/em><\/h2>\n<div>Maria Delfino e sua amiga Elisafrania sairam do Maranh\u00e3o, onde lutam pelo pelo direito de acesso \u00e0 terra. &#8220;N\u00f3s somos de um assentamento muito humilde e passamos muitas difilcudades. Ent\u00e3o, estamos aqui para que a Dilma possa nos ajudar. \u00c9 muito dif\u00edcil para n\u00f3s termos a terra para plantar, pois \u00e9 muito caro. E mais dif\u00edcil ainda \u00e9 n\u00e3o ter estrutura para trabalhar, ent\u00e3o vamos ver se a Dilma nos ajuda n\u00e9&#8221;, desabafou Maria Delfino, enquanto seguia rumo \u00e0 esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Debaixo de um sol muito intenso, um trio el\u00e9trico animava a caminhada e lembravam ao Brasil a pauta da manifesta\u00e7\u00e3o. Pontos como o combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher por meio da amplia\u00e7\u00e3o de recuros para o cumprimento da Lei Maria da Penha, a regulamenta\u00e7\u00e3o da agricultura familiar como processo fundamental para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a isen\u00e7\u00e3o de impostos a toda a cadeia org\u00e2nica e agroecol\u00f3gica estiveram presentes no discurso. Al\u00e9m, claro, do eixo fundamental: a reforma agr\u00e1ria.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2><em>Herdeiras de Margarida\u00a0<\/em><\/h2>\n<div>A quilombola e agricultura Severina Luiza da Costa, 43, mais conhecida como Cida, carregava um crach\u00e1 que despertava aten\u00e7\u00e3o. Na identifica\u00e7\u00e3o de sua origem, o munic\u00edpio de Alagoa Grande, na Para\u00edba, justamente onde Margarida Alves construiu sua trajet\u00f3ria como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, local antes de ser assassinada, em 1983. Fato que inspirou a cria\u00e7\u00e3o da Marcha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cida ocupa a fun\u00e7\u00e3o de vice-secret\u00e1ria da organiza\u00e7\u00e3o e, como muitas outras pessoas presentes, trouxe ao Distrito Federal uma quest\u00e3o pr\u00e1tica: o desejo de cobrar do governo a titula\u00e7\u00e3o do quilombo, a\u00e7\u00e3o que aguarda h\u00e1 11 anos. &#8220;Margarida foi uma mulher muito lutadora e nos ensinou a lutarmos por nossos direitos.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas, nem s\u00f3 de mulheres \u00e9 feita a mobiliza\u00e7\u00e3o. Prova disso era \u00a0Raimundo de Souza, 75, que demorou dois dias e meio para chegar. De fala simples, coisa de matuto, ele trazia um documento para entregar ao ministro da Reforma Agr\u00e1ria. Nele, cobrar o atestado de resid\u00eancia de um s\u00edtio. &#8220;Foi l\u00e1 que eu apliquei em 150 hectares de terra e criei meus filhos. Tenho atestado de resid\u00eancia, luz e \u00e1gua, mas ainda n\u00e3o tenho terra.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<h2><em>O sonho que eles sonharam\u00a0<\/em><\/h2>\n<div>A parte final da Marcha contou com o discurso de lideran\u00e7as de movimentos sindicais, de organiza\u00e7\u00f5es feministas e de parlamentares. Pessoas que direta ou indiretamente est\u00e3o ao lado dos camponeses. Presidente da Contag (Confedera\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura), Alberto Broch destacou que a mobiliza\u00e7\u00e3o ia muito al\u00e9m da entrega da pauta de reivindica\u00e7\u00f5es ao governo. &#8220;Fica uma li\u00e7\u00e3o de cidadania e a visibilidade \u00e0s mulheres do campo, que t\u00eam dupla, tripla jornadas e produzem a cultura que essa pa\u00eds tem e queremos que preserve. Oxal\u00e1 essa luta chegue ao Congresso para que sejam aprovados medidas importantes como a PEC do Trabalho Escravo e a reforma pol\u00edtica para que mais mulheres possam ter espa\u00e7o.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Muito emocionada, a atriz e militante Let\u00edcia Sabatella lembrou a origem da luta que as Margaridas, presentes nesta ter\u00e7a no Distrito Federal, empreenderam. &#8220;Se hoje estamos aqui para defender direitos mais humanos \u00e9 porque n\u00f3s somos hoje o sonho sonhado por tantas mulheres que tiveram seus gestos muitas vezes reprimidos, ceifados e assassinados, mas n\u00e3o tiveram seus sonhos cortados. N\u00f3s somos o sonho sonhado de muitas mulheres que vieram antes de n\u00f3s.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Secret\u00e1ria do Meio Ambiente da CUT e coordenadora geral da Marcha das Margaridas, \u00a0Carmen Foro, deixou bem claro qual o modelo de Brasil desejado pelas Margaridas. &#8220;Alguns perguntaram se eu achava que havia 100 mil mulheres em Bras\u00edlia. Eu disse que n\u00e3o, que tinhamos milh\u00f5es, porque essas que vieram trouxeram na ama o desejo de transforma\u00e7\u00e3o de todas aquelas que n\u00e3o puderam vir. Todas que foram assassinadas, ressurgiram hoje, portanto, Margarida Alves vive entre n\u00f3s para dizermos que queremos um pa\u00eds com desenvolvimento, mas que esse desenvolvimento seja social, econ\u00f4mico e tamb\u00e9m ambientalmentere respons\u00e1vel&#8221;, disse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00e1 a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, lembrou o processo de constru\u00e7\u00e3o da atividade, nos 27 estados, com apoio das federa\u00e7\u00f5es filiadas \u00e0 Central em todo o pa\u00eds. Citou ainda a import\u00e2ncia da amplia\u00e7\u00e3o da oferta de creches no campo e na cidade como forma de garantir a autonomia das mulheres, al\u00e9m da necessidade do processo de distribui\u00e7\u00e3o de renda incluir a amplia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito e a oferta de assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e0s trabalhadoras rurais. Por fim, encerrou com uma frase da pr\u00f3pria presidenta Dilma. &#8220;N\u00f3s, mulheres, podemos.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fonte:\u00a0<em>Tatiana Melim e Luiz Carvalho, especial para a Rede Brasil Atual<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"coluna_direita\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres do campo e da floresta cobram respostas do poder p\u00fablico Tatiana Melim e Luiz Carvalho, especial para a Rede Brasil Atual Bras\u00edlia &#8211; &#8220;Melhor morrer de luta do que morrer de fome, Margarida, Margarida, esse \u00e9 seu nome&#8221;, dizia uma das m\u00fasicas que cantavam. E elas vieram em peso. 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