{"id":7366,"date":"2015-02-16T21:25:49","date_gmt":"2015-02-16T21:25:49","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=7366"},"modified":"2015-02-16T21:25:49","modified_gmt":"2015-02-16T21:25:49","slug":"parana-tem-duas-entre-as-cinco-cidades-mais-violentas-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/parana-tem-duas-entre-as-cinco-cidades-mais-violentas-do-pais","title":{"rendered":"Paran\u00e1 tem duas entre as cinco cidades mais violentas do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Um milh\u00e3o e cem mil brasileiros foram assassinados nos \u00faltimos 30 anos, o equivalente \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de Londrina, Maring\u00e1 e Guarapuava somadas. Os homic\u00eddios passaram de 13,9 mil, em 1980, para 49,9 mil, no ano passado, um aumento de 259%. No per\u00edodo, a taxa variou de 11,7 para 26,2 assassinatos a cada grupo de 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>S\u00f3 no ano passado ocorreram 50 mil homic\u00eddios no pa\u00eds, m\u00e9dia de 137 por dia. O Paran\u00e1 \u00e9 o nono estado mais violento do pa\u00eds e tem duas cidades &#8211; Campina Grande do Sul e Gua\u00edra &#8211; entre as cinco mais violentas. Curitiba ocupa a sexta posi\u00e7\u00e3o entre as capitais, com taxa de 55,9 homic\u00eddios por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Crime atinge mais negros do que brancos<br \/>\nO Mapa da Viol\u00eancia mostra que, de 2002 a 2010, a taxa de homic\u00eddios de brancos vem caindo no pa\u00eds, enquanto que a de negros est\u00e1 subindo. Segundo o estudo, o n\u00famero de homic\u00eddios de brancos caiu de 20,6 para cada 100 mil habitantes em 2002, para 15 em 2010. J\u00e1 o dos negros subiu de 30 para cada 100 mil habitantes em 2002, para 35,9 em 2010.<\/p>\n<p>Os dados mostram que para cada dois brancos v\u00edtimas de homic\u00eddio em 2002, morreram aproximadamente tr\u00eas negros. J\u00e1 em 2010, para cada dois brancos assassinados 4,6 negros foram v\u00edtimas de homic\u00eddio.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um fato preocupante porque a tend\u00eancia est\u00e1 aumentando. Nossa m\u00eddia veicula o que acontece em fam\u00edlias abastadas e h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o dos \u00f3r\u00ad\u00adg\u00e3os de seguran\u00e7a com isso. Mas ningu\u00e9m noticia que morreram dois negros em uma favela, a n\u00e3o ser que seja uma chacina\u201d, diz o coordenador da pesquisa Julio Jacob Waiselfisz.<\/p>\n<p>De acordo com ele, a maior viol\u00eancia contra os negros pode ser explicada tamb\u00e9m pela quest\u00e3o econ\u00f4mica e pela privatiza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a. \u201cQuem pode pagar, paga a seguran\u00e7a privada, que protege melhor\u201d. Como a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9, em m\u00e9dia, mais pobre, explica Jacob, passa a depender dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica que, geralmente, n\u00e3o conseguem atender adequadamente a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEssas evid\u00eancias nos levam a postular a necessidade de reorientar as pol\u00edticas nacionais, estaduais e municipais, em torno da seguran\u00e7a p\u00fablica, para enfrentar de forma real e efetiva essa chaga aberta na realidade do pa\u00eds\u201d, diz o texto do estudo.<\/p>\n<p>O Mapa da Viol\u00eancia 2012, divulgado ontem pelo Instituto Sangari, mostra Alagoas no topo do ranking, seguido do Esp\u00edrito Santo, Par\u00e1, Pernambuco e Amap\u00e1. O relat\u00f3rio mostra que, de maneira geral, ao longo dos \u00faltimos 30 anos os polos de viol\u00eancia no Brasil se deslocaram das capitais e regi\u00f5es metropolitanas para o interior dos estados. Ao contr\u00e1rio do restante do pa\u00eds, o Paran\u00e1 n\u00e3o teve uma interioriza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia: os crimes est\u00e3o concentrados em Curitiba e sua regi\u00e3o metropolitana. O estado passou de uma taxa de 10,8 para 34,4 assassinatos a cada 100 mil moradores.<\/p>\n<p>Interioriza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Segundo o Mapa, entre 1980 e 1995 as capitais passaram de 18 para 40 homic\u00eddios a cada 100 mil habitantes, um aumento de 124%. No mesmo per\u00edodo, cidades do interior passaram de 7,5 para 11,7 homic\u00eddios em 100 mil moradores, crescimento de 56%. J\u00e1 entre os anos de 2003 e 2010, as capitais e regi\u00f5es metropolitanas registram uma queda de 23,8% enquanto os \u00edndices do interior cresceram 21,4%. Pelo estudo, as cidades de Sim\u00f5es Filho (BA), Campina Grande do Sul (PR), Marab\u00e1 (PA), Gua\u00edra (PR) e Porto Seguro (BA) ocupam as primeiras posi\u00e7\u00f5es do ranking.<\/p>\n<p>A taxa de homic\u00eddios no Paran\u00e1 passou a crescer com mais for\u00e7a em meados dos anos 1990, justamente quando o n\u00famero de assassinatos disparou na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba. No come\u00e7o daquela d\u00e9cada, o \u00edndice a cada grupo de 100 mil moradores era de 14,4 e no interior, 13,9. J\u00e1 no ano passado, o Mapa revela que a regi\u00e3o metropolitana e a capital apresentaram uma taxa de 47 a cada 100 mil moradores, enquanto no interior o \u00edndice foi de 24,8.<\/p>\n<p>Conforme o relat\u00f3rio, a m\u00e9dia anual de mortes por homic\u00eddio no pa\u00eds supera o n\u00famero de v\u00edtimas de enfrentamentos armados no mundo. Entre 2004 e 2007, 169,5 mil pessoas morreram nos 12 maiores conflitos mundiais. No Brasil, o n\u00famero de mortes por homic\u00eddio nesse mesmo per\u00edodo foi 192,8 mil. \u201cFica dif\u00edcil compreender como, em um pa\u00eds sem conflitos religiosos ou \u00e9tnicos, de cor ou de ra\u00e7a, sem disputas territoriais ou de fronteiras, sem guerra civil ou enfrentamentos pol\u00edticos violentos, consegue-se exterminar mais cidad\u00e3os do que na maior parte dos conflitos armados existentes no mundo\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>Para o professor Pedro Bod\u00ea, do Centro de Estudos em Seguran\u00e7a P\u00fablica e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), a \u2018capitaliza\u00e7\u00e3o\u2019 dos assassinatos no estado deve-se \u00e0 falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e policiais. \u201cHouve esse crescimento na taxa como um todo pela falta de repress\u00e3o e de pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas, o que precisamos \u00e9 de pol\u00edticas que destinem mais verba para o setor de seguran\u00e7a p\u00fablica, com investimento tecnol\u00f3gico e moderniza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Poder Judici\u00e1rio\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Professor do curso de Ci\u00eancias Sociais pela PUC-Minas e secret\u00e1rio executivo do Instituto Minas pela Paz, o soci\u00f3logo Luiz Fl\u00e1vio Sapori lamenta a situa\u00e7\u00e3o em que o Paran\u00e1 se encontra. \u201cIsso \u00e9 reflexo da falta de investimento na seguran\u00e7a p\u00fablica nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Faltam policiais e pol\u00edticas eficazes no combate \u00e0 criminalidade\u201d, enfatiza. No entanto, Sapori acredita que a interioriza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u2013 registrada em grande parte do pa\u00eds \u2013 \u00e9 explicada pelo pr\u00f3prio avan\u00e7o socioecon\u00f4mico que ocorre em cidades menores. \u201cAs cidades do interior est\u00e3o crescendo economicamente e socialmente. Esse crescimento traz consigo o tr\u00e1fico de drogas e a presen\u00e7a de armas de fogo, o que contribui para o aumento da viol\u00eancia\u201d, explica.<\/p>\n<p>Paran\u00e1 \u00e9 o nono mais violento entre os estados<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, a taxa de homic\u00eddios teve um crescimento de 86% entre 2000 e 2010, fazendo com que o estado subisse da 16.\u00aa para a 9.\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking do Mapa da Viol\u00eancia. Apesar de a taxa de homic\u00eddios ter re\u00ad\u00adgredido o \u00edndice de 35,1 para 34,4 por 100 mil habitantes en\u00ad\u00adtre 2009 e 2010, o estado registra um \u00edndice superior ao do Rio de Janeiro, que, por sua vez, caiu em 10 anos da segunda posi\u00e7\u00e3o para a 17.\u00aa.<\/p>\n<p>Em Curitiba, a taxa de assassinatos acompanhou o crescimento da viol\u00eancia no pa\u00eds e subiu 113,2% no mesmo per\u00edodo. Com isso, a cidade passou de 20\u00ba para 6\u00aa colocada na lista das capitais mais violentas.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, o Paran\u00e1 registrou 3.588 homic\u00eddios no ano passado contra 1.766 em 2000, uma alta de 103,2%, a mais alta entre os estados das regi\u00f5es Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No mesmo per\u00edodo, o Brasil apresentou aumento de 10,1% na taxa. No pa\u00eds, 45.360 homic\u00eddios foram registrados em 2000 e 49.932 em 2010.<\/p>\n<p>\u201cEstamos vivendo um genoc\u00eddio. \u00c9 uma vergonha nacional. Os n\u00fameros demonstram que o pa\u00eds n\u00e3o consegue ser capaz de encontrar solu\u00e7\u00f5es para a criminalidade\u201d, enfatiza o soci\u00f3logo Luiz Fl\u00e1vio Sapori, pesquisador da PUC de Minas Gerais. \u201cA realidade do Paran\u00e1 ainda \u00e9 a metropoliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, apesar de existirem cidades do interior violentas. A regi\u00e3o metropolitana de Curitiba ainda \u00e9 tomada pelo alto \u00edndice de homic\u00eddios\u201d, salienta o soci\u00f3logo Julio Jacobo, diretor de pesquisa do Instituto Sangari. Ele explica que o objetivo do Mapa \u00e9 apontar os caminhos para que os governos federal e estadual apliquem pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de deter o avan\u00e7o da criminalidade.<\/p>\n<p>Plano de metas<\/p>\n<p>A partir de 2012, cada uma das 23 \u00c1reas Integradas de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Paran\u00e1 (Aisp\u2019s) \u2013 divis\u00e3o geogr\u00e1fica que re\u00fa\u00ac\u00acne munic\u00edpios em diferentes regi\u00f5es do estado \u2013 ter\u00e1 de cumprir metas espec\u00edficas de redu\u00e7\u00e3o na taxa de homic\u00eddios a cada 100 mil habitantes. A Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sesp) afirma que pretende fechar 2015 com uma taxa de 21,5 mortes por 100 mil\/habitantes no estado.<\/p>\n<p>O plano de metas envolvendo indicadores de criminalidade, j\u00e1 presente em estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro, foi anunciado anteontem. A medida prev\u00ea uma redu\u00e7\u00e3o gradual nos pr\u00f3ximos quatro anos, que deve ser viabilizada por uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es do programa Paran\u00e1 Seguro. Al\u00e9m das metas para as Aisp\u2019s, o plano tamb\u00e9m estabelece redu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para Curitiba, que ser\u00e1 subdividida em 13 \u00e1reas.<\/p>\n<p>Fonte: Gazeta do Povo PR<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um milh\u00e3o e cem mil brasileiros foram assassinados nos \u00faltimos 30 anos, o equivalente \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de Londrina, Maring\u00e1 e Guarapuava somadas. 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