{"id":7482,"date":"2015-02-16T22:06:53","date_gmt":"2015-02-16T22:06:53","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=7482"},"modified":"2015-02-16T22:06:53","modified_gmt":"2015-02-16T22:06:53","slug":"direitos-humanos-expedicao-registra-conflito-de-terra-no-ms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/direitos-humanos-expedicao-registra-conflito-de-terra-no-ms","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Expedi\u00e7\u00e3o registra conflito de terra no MS"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Expedi\u00e7\u00e3o de profissionais ligados \u00e0 quest\u00e3o ind\u00edgena e militantes de diversas \u00e1reas ficar\u00e1 at\u00e9 o dia 25 na regi\u00e3o acompanhando a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas. Iniciada no \u00faltimo dia 10, a expedi\u00e7\u00e3o que homenageia o cacique assassinado por jagun\u00e7os, a mando dos fazendeiros locais, produzir\u00e1 um relat\u00f3rio e um document\u00e1rio para denunciar as amea\u00e7as de morte e exigir a demarca\u00e7\u00e3o dessas terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Por F\u00e1bio Nassif*<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 13 de janeiro, h\u00e1 nove anos do assassinato do Cacique Marco Ver\u00f3n, lideran\u00e7a guarani-kaiow\u00e1 de Mato Grosso do Sul, ind\u00edgenas da aldeia Takwara fizeram uma cerim\u00f4nia em sua homenagem. O cen\u00e1rio ainda \u00e9 de violenta e cotidiana disputa pelas terras. A cerim\u00f4nia, chamada de Yvy ra%%i nhamboaty, foi realizada durante uma expedi\u00e7\u00e3o de profissionais ligados \u00e0 quest\u00e3o ind\u00edgena e militantes de diversas \u00e1reas, que ficar\u00e1 at\u00e9 o dia 25 na regi\u00e3o acompanhando a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Iniciada no \u00faltimo dia 10, a expedi\u00e7\u00e3o que homenageia o cacique assassinado por jagun\u00e7os, a mando dos fazendeiros locais, produzir\u00e1 um relat\u00f3rio e um document\u00e1rio para denunciar as amea\u00e7as de morte e exigir a demarca\u00e7\u00e3o dessas terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Motivada pela morte de 260 ind\u00edgenas nos \u00faltimos nove anos, a expedi\u00e7\u00e3o, composta por ge\u00f3grafos, jornalistas, psic\u00f3logos, advogados e educadores, tem se deparado com os problemas vividos nas aldeias. A press\u00e3o do agroneg\u00f3cio &#8211; principalmente da cana e da soja -, a viol\u00eancia dos fazendeiros, jagun\u00e7os e empresas de seguran\u00e7a privada, a aus\u00eancia &#8211; ou presen\u00e7a equivocada &#8211; do Estado fazem do Mato Grosso do Sul um dos principais palcos de mortes ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Portas fechadas<\/p>\n<p>No dia em que a equipe da expedi\u00e7\u00e3o foi recepcionada pelos guarani-kaiow\u00e1 na aldeia Laranjeira Nh\u00e1nderu, localizada no meio de uma planta\u00e7\u00e3o de soja no munic\u00edpio de Rio Brilhante, os respons\u00e1veis pela fazenda colocaram caminh\u00f5es e um globo de a\u00e7o de arar terra na entrada para impedir a circula\u00e7\u00e3o de pessoas no local. Dentro de caminhonetes, homens armados rondaram a entrada da aldeia, deixando todos em estado de alerta.<\/p>\n<p>O gesto de intimida\u00e7\u00e3o foi respondido por contados da expedi\u00e7\u00e3o com a Funai, a Pol\u00edcia Federal e entidades de direitos humanos. Para evitar mais um ataque aos ind\u00edgenas, decidiu-se telefonar para o representante do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, Marcelo Veiga, para refor\u00e7ar o<br \/>\nenvio de ajuda aos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Tr\u00eas agentes da Pol\u00edcia Federal e dois da Funai chegaram ao local, e, depois de conversar com os donos da fazenda, se entenderam com os \u00edndios. A presen\u00e7a deles ajudou no desbloqueio do caminho, mas explicitou as limita\u00e7\u00f5es desses \u00f3rg\u00e3os para lidar com este tipo de confronto.<\/p>\n<p>Diferente do entendimento comum de que a Funai deve defender os direitos ind\u00edgenas, a respons\u00e1vel pelo \u00f3rg\u00e3o no estado, Maria de Lourdes, afirmou que &#8220;o papel da Funai \u00e9 mediar conflito entre os fazendeiros e os ind\u00edgenas&#8221;, mesmo em casos como esse, onde a terra est\u00e1 em lit\u00edgio (aguardando julgamento) e historicamente pertence aos guarani-kaiowa. Maria de Lourdes reconheceu que, em algumas \u00e1reas onde a expedi\u00e7\u00e3o pretende passar, a Funai e a Pol\u00edcia Federal n\u00e3o atuam devido ao poder e agressividade dos fazendeiros.<\/p>\n<p>Injusti\u00e7a e viol\u00eancia<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cercada pelas enormes planta\u00e7\u00f5es de soja, a aldeia Taquara vive situa\u00e7\u00e3o semelhante: rios polu\u00eddos pelo despejo de agrot\u00f3xicos, tamanho limitado das terras que impede o plantio para subsist\u00eancia, indefini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do local e amea\u00e7as de morte. O cacique Ladio Veron \u00e9 um dos que est\u00e3o marcados para morrer na lista dos fazendeiros. Ele passou o seu anivers\u00e1rio lembrando do dia em que os jagun\u00e7os o seguravam, enquanto matavam seu pai na sua frente. Os assassinos, mesmo condenados, vivem em liberdade.<\/p>\n<p>Nos locais do assassinato e enterro do corpo do cacique Marco, sua filha, Valdelice, segurando a neta Arami, reafirmou que &#8220;a luta do povo guarani-kaiowa n\u00e3o vai parar&#8221;. A \u00e1gua da chuva se misturou com as l\u00e1grimas desta fam\u00edlia, pertencente a um povo que resiste e v\u00ea sangue jorrar em suas terras, desde a coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora, quando o projeto de desenvolvimento do pa\u00eds os condena \u00e0 luta com fazendeiros e \u00e0 morte por envenenamento por agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p>*F\u00e1bio Nassif \u00e9 jornalista.<\/p>\n<p>Fonte: Carta Maior<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fonte: Carta Maior<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Expedi\u00e7\u00e3o de profissionais ligados \u00e0 quest\u00e3o ind\u00edgena e militantes de diversas \u00e1reas ficar\u00e1 at\u00e9 o dia 25 na regi\u00e3o acompanhando a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas. 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