{"id":7492,"date":"2015-02-16T22:08:56","date_gmt":"2015-02-16T22:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=7492"},"modified":"2015-02-16T22:08:56","modified_gmt":"2015-02-16T22:08:56","slug":"por-que-caiu-o-pib-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/por-que-caiu-o-pib-de-2011","title":{"rendered":"Por que caiu o PIB de 2011"},"content":{"rendered":"<p><em>Luis Nassif Online<\/em><\/p>\n<div>Divulgado na sexta-feira passada, o Comunicado 130 do Ipea (Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas) tenta dissecar as raz\u00f5es do desempenho p\u00edfio do PIB em 2011.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Em 2010 o crescimento foi de 7,5% &#8211; muito como ajuste, em fun\u00e7\u00e3o do baixo desempenho do ano anterior. J\u00e1 na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2011, n\u00e3o houve crescimento do PIB, uma forte desacelera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior, quando o PIBV havia crescido 0,7%.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>O trabalho identifica dois fatores principais: a cont\u00ednua aprecia\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio; o aperto monet\u00e1rio iniciado em final de 2010 (tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelo efeito c\u00e2mbio); a pol\u00edtica fiscal de 2011 em rela\u00e7\u00e3o a 2010 (ano eleitoral); o ac\u00famulo de estoques em 2011 e a crise econ\u00f4mica da Europa.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>No primeiro trimestre, o PIB foi beneficiado ainda pelo conjunto de medidas de est\u00edmulo \u00e0 economia adotadas em plena crise de 2008. Al\u00e9m disso, prevendo o fim de algumas isen\u00e7\u00f5es, houve antecipa\u00e7\u00e3o de consumo. Foi o fim do ciclo de crescimento p\u00f3s-crise.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>O segundo trimestre j\u00e1 foi afetado pela retirada dos est\u00edmulos fiscais, o in\u00edcio dos efeitos do aperto monet\u00e1rio.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Apesar da redu\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento de consumo das fam\u00edlias, a produ\u00e7\u00e3o industrial e os investimentos ainda mantiveram bom desempenho, com crescimento de 3,6% e 3,9% respectivamente.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>No terceiro e quarto trimestre houve a revers\u00e3o. A taxa m\u00e9dia de crescimento do PIB caiu de 1,9% no primeiro trimestre para meros 0,6%, for\u00e7ada especialmente pela ind\u00fastria, que registrou perda de 0,9%.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Parte da redu\u00e7\u00e3o do crescimento do PIB se deveu ao efeito estat\u00edstico &#8211; como o PIB reflete a varia\u00e7\u00e3o da economia em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior, se a base de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 alta, o efeito estat\u00edstico \u00e9 menor no per\u00edodo seguinte.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Mas o principal fator de redu\u00e7\u00e3o foi a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o que acumulou queda de 0,7% nos dois \u00faltimos trimestre; a constru\u00e7\u00e3o civil, cujo crescimento caiu de 1,2% no primeiro trimestre para 0,8% e 0,2% nos dois trimestres seguintes.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>A\u00ed entra em jogo o fator c\u00e2mbio. Na medida em que a economia mundial esfriava, o mercado interno brasileiro tornou-se alvo preferencial da produ\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses. Com o c\u00e2mbio jogando contra, houve uma invas\u00e3o de importados, impedindo que o crescimento do mercado interno de consumo irrigasse a produ\u00e7\u00e3o interna. Esse movimento se deu principalmente na importa\u00e7\u00e3o de insumos.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Comparando o faturamento real da ind\u00fastria de transformado (medido pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria) e a evolu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica (medida na pesquisa PIM-PF do IBGE), percebe-se que a partir do segundo semestre de 2010 ocorre um descolamento: cresce o faturamento real da ind\u00fastria enquanto a produ\u00e7\u00e3o permanece estagnada.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Os analistas que n\u00e3o acreditam na chamada desindustrializa\u00e7\u00e3o olham apenas a curva de faturamento. Comparando as duas percebe-se que as ind\u00fastrias cada vez mais tornam-se importadoras de insumos, empobrecendo toda a cadeia produtiva do setor.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Pode-se manter esse jogo por algum tempo. Mas uma hora a casa cai.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><strong>Crescimento dos importados<br \/>\n<\/strong>O crescimento dos importados ocorreu em todas as categorias de uso. No setor de bens de consumo dur\u00e1veis, as importa\u00e7\u00f5es aumentaram 34% nos primeiros oito meses de 2011, contra 2% na produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica. Em bens intermedi\u00e1rios, importa\u00e7\u00f5es aumentando 10,4% contra 0,6% de aumento na produ\u00e7\u00e3o interna. Na produ\u00e7\u00e3o de bens de capital, crescimento das importa\u00e7\u00f5es de 19,7% contra aumento de 6,9% na produ\u00e7\u00e3o interna.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><strong>O aperto monet\u00e1rio<br \/>\n<\/strong>Em dezembro de 2010 o Banco Central adotou as chamadas medidas macroprudenciais &#8211; basicamente enxugando dinheiro da economia e restringindo o cr\u00e9dito. Segundo o trabalho, os efeitos dos mecanismos de transmiss\u00e3o de cr\u00e9dito levam de 6 a 9 meses para se completarem. Antes que o ciclo se completasse, o BC aumentou os juros e o governo deu in\u00edcio a um aperto fiscal. Muita medida de restri\u00e7\u00e3o tomada ao mesmo tempo.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><strong>Ajuste nos estoques<br \/>\n<\/strong>O trabalho identifica ac\u00famulo de estoques na ind\u00fastria. Setores relevantes, como o automobil\u00edstico, decretaram f\u00e9rias coletivas para desovar estoques. O ajuste tem um impacto maior em um primeiro momento. Uma ind\u00fastria vende 100 e mant\u00e9m 200 de estoques.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Todo m\u00eas, compra 100 para repor. Se as vendas caem, digamos, para 90 os estoques cair\u00e3o para 180. Ent\u00e3o no primeiro m\u00eas de ajuste o impacto da redu\u00e7\u00e3o de compras ser\u00e1 em dobro.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Fonte: DIAP<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luis Nassif Online Divulgado na sexta-feira passada, o Comunicado 130 do Ipea (Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas) tenta dissecar as raz\u00f5es do desempenho p\u00edfio do PIB em 2011. &nbsp; Em 2010 o crescimento foi de 7,5% &#8211; muito como ajuste, em fun\u00e7\u00e3o do baixo desempenho do ano anterior. 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