{"id":7929,"date":"2015-02-23T13:30:19","date_gmt":"2015-02-23T13:30:19","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=7929"},"modified":"2015-02-23T13:30:19","modified_gmt":"2015-02-23T13:30:19","slug":"romance-resgata-historia-do-movimento-sindical-do-abc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/romance-resgata-historia-do-movimento-sindical-do-abc","title":{"rendered":"\u00bb Romance resgata hist\u00f3ria do movimento sindical do ABC"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Tecendo o Amanh\u00e3, de Moacyr Pinto, \u00e9 inspirado em acontecimentos reais, vividos pelo autor<\/p>\n<p>Por Felipe Rousselet<br \/>\nLan\u00e7ado em S\u00e3o Bernardo do Campo, nesta sexta-feira, 13, o livro Tecendo o Amanh\u00e3, de autoria do ex-metal\u00fargico, soci\u00f3logo, educador, militante pol\u00edtico e ex-secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, Moacyr Pinto, conta a hist\u00f3ria de um grupo de fam\u00edlias de trabalhadores do ABC, militantes da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e fundadores do PT e da CUT.<\/p>\n<p>A obra \u00e9 um romance de fic\u00e7\u00e3o, inspirado em acontecimentos reais, vivenciados de perto pelo autor. O livro n\u00e3o se prop\u00f5e a contar hist\u00f3rias de indiv\u00edduos ou grupos espec\u00edficos, e sim de tipos ideais que atuaram no movimento sindical do ABC.<\/p>\n<p>Moacyr Pinto afirma que o seu grande objetivo com a obra \u00e9 mostrar o Brasil de verdade para os brasileiros e consolidar a cultura oper\u00e1ria, al\u00e9m de suprir a car\u00eancia de her\u00f3is do pa\u00eds. \u201cO her\u00f3i brasileiro dos tempos modernos \u00e9 um her\u00f3i coletivo. S\u00e3o essas pessoas que constru\u00edram este processo, tanto na adapta\u00e7\u00e3o quanto na capacidade de participar de um processo de supera\u00e7\u00e3o de uma ditadura, de passar por um per\u00edodo de grande desemprego, de criar essa consci\u00eancia coletiva. Essa \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o que eu quero dar, e esses s\u00e3o os her\u00f3is que eu quero projetar\u201d, conta. F\u00f3rum conversou com Moacyr Pinto sobre a sua primeira obra de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>F\u00f3rum \u2013 Como foi o processo de transpor uma realidade que voc\u00ea vivenciou para um romance de fic\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Moacyr Pinto &#8211; Sou escriba antigo, mas escriba profissional, como soci\u00f3logo, professor etc\u2026 Depois que me aposentei, comecei a fazer literatura, vamos dizer assim. Ent\u00e3o, estava fazendo algumas resenhas hist\u00f3ricas e fiz um livro chamado Conto de Vista: hist\u00f3rias no Brasil que elegeu Lula, contando esta hist\u00f3ria recente a partir da minha experi\u00eancia e hist\u00f3rias reais. Nesta \u00e9poca me ocorreu que a literatura \u00e9 o grande recurso para voc\u00ea consolidar uma cultura e neste sentido acho muito importante para o povo brasileiro consolidar esta cultura oper\u00e1ria, essa cultura rural-urbana que veio para v\u00e1 (S\u00e3o Paulo) e se superou n\u00e3o s\u00f3 na quest\u00e3o da sobreviv\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m no sentido de ter se tornado agente politico e de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos meus progressos na literatura, chegou uma hora em que percebi que o momento n\u00e3o era mais de contar a hist\u00f3ria de uma pessoa, mas de fazer uma fic\u00e7\u00e3o para mostrar idealmente o conjunto de personagens que fez a nossa hist\u00f3ria. Tem aquele pe\u00e3o simples da f\u00e1brica que virou sindicalista, aquela mulher simples que lutava na periferia andando a p\u00e9 com as crian\u00e7as, e de repente virou uma militante comunit\u00e1ria, cresceu, e depois virou agente pol\u00edtica de prest\u00edgio. Como tenho muito conhecimento de causa dessa hist\u00f3ria, e inclusive a vivenciei aqui no ABC e em outras regi\u00f5es, como Sorocaba e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, como agente de forma\u00e7\u00e3o da CUT, usei esta experi\u00eancia.<\/p>\n<p>F\u00f3rum \u2013 E porque ambientar no ABC?<\/p>\n<p>Moacyr Pinto &#8211; O sindicalismo forte e marcante foi no ABC. Aqui teve a presen\u00e7a da igreja progressista, da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, e aqui tamb\u00e9m vivenciei o momento em que o Lula era o cabe\u00e7a do sindicato, eu era presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Soci\u00f3logos do ABC. Era soci\u00f3logo, professor e militante no Jardim Estela. Ent\u00e3o, j\u00e1 tinha todos os ingredientes para o livro, mas n\u00e3o conto a hist\u00f3ria de fulano, eu idealizo, criei tipos ideais. Nesse meio, tinha aquele pe\u00e3o de f\u00e1brica, que era aquele cara batalhador, muito companheiro, e este \u00e9 um tipo ideal est\u00e1 representado no livro. Foi um grande desafio para mim por ser a primeira fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>F\u00f3rum \u2013 Voc\u00ea acha que uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o pode atrair novos leitores para o tema? Aqueles que n\u00e3o necessariamente j\u00e1 possuam uma identifica\u00e7\u00e3o com o movimento sindical ou com a esquerda?<\/p>\n<p>Moacyr Pinto &#8211; Esse \u00e9 um sonho meu e um trabalho que tento buscar apoio. Agora, voc\u00ea sabe a dificuldade no Brasil\u2026 Voc\u00ea faz a hist\u00f3ria, tem que divulgar a hist\u00f3ria, e tem dificuldades para repercutir. Mas algu\u00e9m tem que fazer este trabalho. Sempre abracei causas e sempre tive compromisso com a hist\u00f3ria do meu pa\u00eds e da minha classe. Depois que me aposentei, eu me atribu\u00ed esta tarefa, de mostrar o Brasil para os brasileiros. Se a literatura \u00e9 o melhor caminho, vamos l\u00e1 e vamos fazer. At\u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o pode perder o bonde da hist\u00f3ria e do tempo. Daqui alguns anos eu n\u00e3o consigo mais, o Alzheimer me pegou e j\u00e1 era. Ent\u00e3o, pouca gente tem a capacidade de fazer o que eu estou fazendo. Tanto capacidade intelectual, como de hist\u00f3rico de vida. Fiz uma op\u00e7\u00e3o com 60 anos. Parei de trabalhar e falei que agora n\u00e3o vou fazer mais politica e nem educa\u00e7\u00e3o, que era o que eu fazia. Vou fazer literatura e escrever o que penso, e n\u00e3o o que escrevi em nome dos movimentos.<\/p>\n<p>F\u00f3rum \u2013 Voc\u00ea acredita que o brasileiro carece de \u00eddolos hist\u00f3ricos?<\/p>\n<p>Moacyr Pinto &#8211; Este \u00e9 o outro sentido para o livro. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds carente de her\u00f3is. Olha o 9 de julho, o rid\u00edculo do 9 de julho. A aristocracia paulista golpista contra outro governo golpista. Se a Revolu\u00e7\u00e3o de 1932 desse certo seria um retrocesso. Na verdade, n\u00f3s n\u00e3o temos her\u00f3is. Os \u00fanicos que possuem her\u00f3is consolidados, com marca, s\u00e3o os ga\u00fachos. E, nesse sentido, a literatura ajudou muito, especialmente o \u00c9rico Ver\u00edssimo. Voc\u00ea pega o Capit\u00e3o Rodrigo, \u00e9 o her\u00f3i t\u00edpico ga\u00facho, mach\u00e3o pra caramba, forte, voluntarioso. Agora o nosso her\u00f3i, o her\u00f3i brasileiro dos tempos modernos, \u00e9 um her\u00f3i coletivo. S\u00e3o essas pessoas que constru\u00edram este processo, tanto na adapta\u00e7\u00e3o quando na capacidade de participar de um processo de supera\u00e7\u00e3o de uma ditadura, de passar por um per\u00edodo de grande desemprego, de criar essa consci\u00eancia coletiva. Essa \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o que quero dar e esses s\u00e3o os her\u00f3is que quero projetar.<\/p>\n<p>F\u00f3rum \u2013 Qual o legado deixado pelo movimento sindical da sua \u00e9poca?<\/p>\n<p>Moacyr Pinto &#8211; O legado \u00e9 exatamente esse DNA que ficou em n\u00f3s, vamos dizer assim. Que \u00e9 o DNA de n\u00e3o mudar de lado. Conhe\u00e7o, l\u00e1 em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos onde vivo hoje, uns vinte pe\u00f5es de f\u00e1brica que se voc\u00ea der um papel e uma caneta n\u00e3o s\u00e3o capazes de escrever nada, mas s\u00e3o capazes de sustentar um debate com qualquer quadro da direita sem desafinar em nenhum tema, mesmo em quest\u00f5es de valores mais tradicionalistas, como, por exemplo, essa coisa de p\u00edlula, contracep\u00e7\u00e3o. O legado \u00e9 essa cultura que criou-se em um segmento que n\u00e3o \u00e9 grande, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 pequeno. S\u00e3o os 300 mil que sustentaram o Lula em 2005, vamos dizer assim. Para mim, esse \u00e9 o grande legado, essa cultura de que \u00e9 preciso ter um lado. Saber qual \u00e9 o meu. Por mais insatisfa\u00e7\u00e3o que eu tenha com o andamento do meu governo, do meu sindicato, da minha central ou do meu partido, posso sair, mas sei que mudar de lado \u00e9 um grande pecado. Esse \u00e9 o legado.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fonte: Revista Forum<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tecendo o Amanh\u00e3, de Moacyr Pinto, \u00e9 inspirado em acontecimentos reais, vividos pelo autor Por Felipe Rousselet Lan\u00e7ado em S\u00e3o Bernardo do Campo, nesta sexta-feira, 13, o livro Tecendo o Amanh\u00e3, de autoria do ex-metal\u00fargico, soci\u00f3logo, educador, militante pol\u00edtico e ex-secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, Moacyr Pinto, conta a hist\u00f3ria de um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-7929","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7929"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7929\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7930,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7929\/revisions\/7930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}