{"id":8039,"date":"2015-02-23T15:07:43","date_gmt":"2015-02-23T15:07:43","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=8039"},"modified":"2015-02-23T15:07:43","modified_gmt":"2015-02-23T15:07:43","slug":"crime-organizado-eleva-a-violencia-na-america-central-mostra-relatorio-da-oea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/crime-organizado-eleva-a-violencia-na-america-central-mostra-relatorio-da-oea","title":{"rendered":"\u00bb Crime organizado eleva a viol\u00eancia na Am\u00e9rica Central, mostra relat\u00f3rio da OEA"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>WASHINGTON. O desembarque do crime organizado na Am\u00e9rica Central e no Caribe &#8211; evidenciado pela alta incid\u00eancia de assassinatos com arma de fogo e a morte majorit\u00e1ria de homens adultos e jovens &#8211; est\u00e1 por tr\u00e1s da escalada da viol\u00eancia na regi\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, sugere o \u201cRelat\u00f3rio sobre Seguran\u00e7a Cidad\u00e3 nas Am\u00e9ricas\u201d, divulgado esta manh\u00e3 pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA). A taxa de mortes violentas chegou a aumentar sete vezes entre 2000 e 2010, como no caso da Dominica, e atingiu 91,6 por 100 mil habitantes em Honduras, a maior entre os 34 pa\u00edses do continente. O indicador das Am\u00e9ricas, em queda, ficou em 15,6 no ano retrasado, contra m\u00e9dia global de 6,9. No Brasil, passou de 26,5 para 21,1 em dez anos.<\/p>\n<p>No continente americano, chama a aten\u00e7\u00e3o ainda a explos\u00e3o da seguran\u00e7a privada em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 expans\u00e3o das pol\u00edcias. Pelos dados compilados no relat\u00f3rio da OEA, considerando-se apenas 22 dos 34 pa\u00edses, o contingente de seguran\u00e7as privados tem mais de 3,5 milh\u00f5es de pessoas, 55% mais do que os 2,25 milh\u00f5es de agentes p\u00fablicos. O Brasil tem, proporcionalmente, o terceiro maior batalh\u00e3o privado.<\/p>\n<p>As mortes violentas continuam sendo preocupa\u00e7\u00e3o central na regi\u00e3o. A taxa de homic\u00eddios na Am\u00e9rica Central passou de 26,6 por 100 mil habitantes em 2000 para 43,3 em 2010, enquanto no Caribe subiu de 16,4 para 21,9. A Am\u00e9rica do Norte registrou alta ligeira, de 7,3 para 7,8 e a Am\u00e9rica do Sul puxou para baixo a m\u00e9dia geral do continente, com recuo de 26,2 para 21,1 em dez anos.<\/p>\n<p>Apesar do desempenho positivo do Brasil, coube \u00e0 Col\u00f4mbia, que implementou um agressivo plano de combate ao tr\u00e1fico de drogas e \u00e0 guerrilha com a ajuda dos Estados Unidos, a lideran\u00e7a nos esfor\u00e7os de redu\u00e7\u00e3o dos assassinatos entre os sul-americanos: o indicador caiu de 64,6 para 37,7.<\/p>\n<p>&#8211; O continente americano sempre foi muito violento, mas o dom\u00ednio do crime organizado torna esta situa\u00e7\u00e3o mais dram\u00e1tica. Nas Am\u00e9ricas, o tipo de homic\u00eddio \u00e9 de bandido contra bandido &#8211; afirma Luiz Coimbra, editor do relat\u00f3rio da OEA. &#8211; Vimos evid\u00eancias de que, com a repress\u00e3o na Col\u00f4mbia, o crime se moveu para o M\u00e9xico (que tamb\u00e9m come\u00e7ou um novo plano de combate com a ajuda dos EUA) e depois para a Am\u00e9rica Central e o Caribe.<\/p>\n<p>Coimbra chama a aten\u00e7\u00e3o para uma compara\u00e7\u00e3o: enquanto na Europa 21% das mortes violentas s\u00e3o frutos do uso de armas de fogo, nas Am\u00e9ricas a m\u00e9dia \u00e9 de 77% &#8211; chegando a 83% na Am\u00e9rica do Sul e a 88% no Brasil. Para a OEA, isso denota a forte presen\u00e7a de gangues na regi\u00e3o. Um quarto dos homic\u00eddios no continente \u00e9 comprovadamente relacionado ao crime organizado, contra 5% na Europa e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Um dos lados mais perversos da infiltra\u00e7\u00e3o do crime organizado \u00e9 o envolvimento da juventude: mais de um ter\u00e7o (36%) das mortes violentas tem v\u00edtimas entre 15 e 24 anos, segundo os dados levantados pela OEA. Coimbra afirma que os grupos organizados recrutam na Am\u00e9rica Central e no Caribe pequenas gangues de jovens para ajudar no transporte de entorpecentes e contrabandos de forma geral por v\u00e1rias fronteiras. O pagamento muitas vezes \u00e9 feito em drogas, cujo consumo aumentou na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A taxa de mortes de jovens por 100 mil habitantes entre 15 e 24 anos atinge inacredit\u00e1veis 105,6 em El Salvador e 60,6 na Guatemala. Mesmo os pa\u00edses que v\u00eam apresentando combate \u00e0 viol\u00eancia mais sistem\u00e1tico t\u00eam indicadores arrasadores. Na Col\u00f4mbia, a taxa \u00e9 de 70 e no Brasil &#8211; que em n\u00fameros absolutos \u00e9 o pa\u00eds que mais acumula v\u00edtimas de assassinatos, de qualquer idade &#8211; o \u00edndice \u00e9 de 43.<\/p>\n<p>Os homens s\u00e3o os alvos principais de homic\u00eddios, outra caracter\u00edstica da presen\u00e7a do crime organizado. Eles representam mais de 80% das v\u00edtimas em todo o continente, sendo 91% no Brasil. Em Honduras, 98% dos assassinados s\u00e3o do sexo masculino. O menor indicador das Am\u00e9ricas \u00e9 de 63%, em Barbados.<\/p>\n<p>O crime organizado na Am\u00e9rica Latina, segundo o relat\u00f3rio, \u00e9 multidimensional &#8211; vai da produ\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio de drogas ao contrabando de armas, passando pela explora\u00e7\u00e3o de mulheres e pelo tr\u00e1fico de pessoas &#8211; e o combate \u00e0 marginalidade requer o estreitamento das a\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>\u201cA evolu\u00e7\u00e3o e a sofistica\u00e7\u00e3o da criminalidade torna imperativa a reavalia\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias adotadas, de forma a incorporar novos elementos que permitam uma leitura antecipada sobre seu comportamento, sua estrutura, ramifica\u00e7\u00f5es, conex\u00f5es, finan\u00e7as e tent\u00e1culos, como precondi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias que respondam \u00e0 natureza e \u00e0 muta\u00e7\u00e3o do crime organizado transnacional e a atua\u00e7\u00e3o oportuna e eficaz das institui\u00e7\u00f5es policiais e outros agentes de governo\u201d, recomenda em artigo o general chileno \u00d3scar Naranjo Trujillo, ex-presidente da Comunidade de Pol\u00edcias da Am\u00e9rica (Ameripol).<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Ant\u00f4nio Rangel Bandeira, coordenador do Projeto de Desarmamento do Viva Rio, defende em artigo no relat\u00f3rio a necessidade de harmoniza\u00e7\u00e3o das legisla\u00e7\u00f5es nacionais sobre produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio de armas. Ele lembra que regras diferentes abrem brechas para os traficantes. Ele cita como exemplo disso o intenso com\u00e9rcio ilegal de armamento nas fronteiras do Brasil &#8211; que tem leis mais r\u00edgidas e claras &#8211; com a Bol\u00edvia e o Suriname.<\/p>\n<p>\u201cO tr\u00e1fico de armas e de muni\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno supranacional, o que exige uma agenda compat\u00edvel, que supere o nacionalismo estreito e as pequenas rivalidades\u201d, diz Bandeira.<\/p>\n<p>O refor\u00e7o e o treinamento das pol\u00edcias locais s\u00e3o recomenda\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para o enfrentamento do crime organizado. Mas Luiz Coimbra, editor do relat\u00f3rio, salienta tamb\u00e9m a necessidade de os Estados americanos terem mais controle sobre as for\u00e7as privadas de seguran\u00e7a. Hoje, este contingente est\u00e1 completamente desarticulado e solto na regi\u00e3o, sem forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e human\u00edstica, o que pode sacrificar direitos b\u00e1sicos da popula\u00e7\u00e3o e ser ineficiente do ponto de vista de preven\u00e7\u00e3o de crimes.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fonte: Extra RJ<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WASHINGTON. 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