{"id":8164,"date":"2015-02-25T21:47:32","date_gmt":"2015-02-25T21:47:32","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=8164"},"modified":"2015-02-25T21:47:32","modified_gmt":"2015-02-25T21:47:32","slug":"stj-esclarece-incidencia-de-imposto-de-renda-sobre-verbas-trabalhistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/stj-esclarece-incidencia-de-imposto-de-renda-sobre-verbas-trabalhistas","title":{"rendered":"\u00bb STJ esclarece incid\u00eancia de Imposto de Renda sobre verbas trabalhistas"},"content":{"rendered":"<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a\u00a0(STJ) esclareceu que os juros de mora\u00a0em verbas trabalhistas n\u00e3o devem\u00a0ser tributados pelo Imposto de Renda (IR) em apenas duas situa\u00e7\u00f5es:\u00a0quando o funcion\u00e1rio \u00e9 demitido ou\u00a0a verba recebida \u00e9 isenta do IR. Com\u00a0essa interpreta\u00e7\u00e3o, a 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o alterou\u00a0decis\u00e3o dada em um recurso repetitivo, julgado em setembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o STJ firmou entendimento de que n\u00e3o incidiria IR por\u00a0causa da natureza indenizat\u00f3ria dos\u00a0juros de mora, relativos a atraso no\u00a0pagamento. Em fevereiro, provocada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a Corte esclareceu que a isen\u00e7\u00e3o s\u00f3 alcan\u00e7aria\u00a0verbas trabalhistas indenizat\u00f3rias\u00a0&#8211; abono de f\u00e9rias e aviso pr\u00e9vio,\u00a0por exemplo &#8211; decorrentes de condena\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, ao analisar um outro\u00a0caso sobre o mesmo assunto, a 1\u00aa\u00a0Se\u00e7\u00e3o estabeleceu uma nova interpreta\u00e7\u00e3o. Para a maioria dos ministros, os juros de mora s\u00e3o tributados, exceto quando o funcion\u00e1rio\u00a0perde o emprego ou quando a verba\u00a0recebida na rescis\u00e3o do contrato \u00e9\u00a0isenta do IR, como o FGTS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o ministro Mauro Campbell Marques, relator do recurso da\u00a0Fazenda contra um ex-funcion\u00e1rio\u00a0do Bradesco, o artigo 16 da Lei\u00a0n\u00ba4.506, de 1964, determina a incid\u00eancia do IR sobre os juros. A exce\u00e7\u00e3o, segundo ele, tem como base o\u00a0inciso V do artigo 6\u00ba da Lei n\u00ba 7.713,\u00a0de 1988, que isenta a indeniza\u00e7\u00e3o e\u00a0o aviso pr\u00e9vio pagos por despedida\u00a0ou rescis\u00e3o de contrato de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o ministro, a medida objetiva\u00a0&#8220;proteger o trabalhador em uma situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica desfavor\u00e1vel&#8221;.\u00a0Dessa forma, em caso de demiss\u00e3o,\u00a0o trabalhador tem direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o\u00a0independentemente do tipo de verba\u00a0recebida &#8211; remunerat\u00f3ria ou indenizat\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para advogados, por\u00e9m, a Corte\u00a0modificou o entendimento firmado\u00a0no recurso repetitivo. &#8220;Houve uma\u00a0restri\u00e7\u00e3o ainda maior da decis\u00e3o\u00a0original&#8221;, afirma Carlos Golgo, do\u00a0Lucca &amp; Lucca Advogados Associados. Para o tributarista Igor Mauler\u00a0Santiago, do Sacha Calmon Misabel Derzi Consultores e Advogados,\u00a0a Corte mudou a l\u00f3gica da decis\u00e3o\u00a0no repetitivo. &#8220;Foi um giro de 180\u00a0graus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O alcance da decis\u00e3o original\u00a0preocupava a Fazenda Nacional, que\u00a0trabalhou nos \u00faltimos meses para\u00a0que o STJ delimitasse o entendimento. Durante o julgamento realizado neste m\u00eas, o procurador Claudio Seefelder defendeu que os juros\u00a0representam acr\u00e9scimo patrimonial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, sustentou que, no\u00a0caso analisado, o funcion\u00e1rio do\u00a0Bradesco ainda estava vinculado\u00a0ao banco e, portanto, deveria recolher IR sobre os R$ 206 mil recebidos por horas extras, 13\u00ba sal\u00e1rio\u00a0e FGTS. Desse montante, R$ 96,9\u00a0mil eram juros de mora. O ministro\u00a0Campbell Marques decidiu excluir\u00a0da tributa\u00e7\u00e3o apenas os R$ 9,2 mil\u00a0referentes ao FGTS porque a verba\u00a0\u00e9 isenta de imposto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O assunto tamb\u00e9m est\u00e1 na pauta\u00a0do Senado. Na \u00faltima semana, a\u00a0Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos\u00a0(CAE) aprovou projeto de lei que\u00a0p\u00f5e fim \u00e0 incid\u00eancia de IR sobre os\u00a0juros devidos pelo atraso no pagamento de remunera\u00e7\u00e3o &#8220;decorrente\u00a0do exerc\u00edcio de emprego, cargo ou\u00a0fun\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A proposta ainda precisa passar pela C\u00e2mara dos Deputados.\u00a0&#8220;Os juros de mora n\u00e3o s\u00e3o riqueza\u00a0nova, mas indeniza\u00e7\u00e3o pelo atraso\u00a0no pagamento, independentemente\u00a0da verba recebida&#8221;, diz Igor Mauler\u00a0Santiago.Procurada pelo Valor, a PGFN\u00a0n\u00e3o retornou at\u00e9 o fechamento desta\u00a0edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a\u00a0(STJ) esclareceu que os juros de mora\u00a0em verbas trabalhistas n\u00e3o devem\u00a0ser tributados pelo Imposto de Renda (IR) em apenas duas situa\u00e7\u00f5es:\u00a0quando o funcion\u00e1rio \u00e9 demitido ou\u00a0a verba recebida \u00e9 isenta do IR. 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