{"id":8427,"date":"2015-03-02T13:46:04","date_gmt":"2015-03-02T13:46:04","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=8427"},"modified":"2015-03-02T13:46:04","modified_gmt":"2015-03-02T13:46:04","slug":"e-preciso-ampliar-a-agenda-e-a-unidade-dos-trabalhadores-e-trabalhadoras-por-jacy-afonso-de-melo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/noticias\/e-preciso-ampliar-a-agenda-e-a-unidade-dos-trabalhadores-e-trabalhadoras-por-jacy-afonso-de-melo","title":{"rendered":"\u00bb \u00c9 preciso ampliar a agenda e a unidade dos trabalhadores e trabalhadoras Por Jacy Afonso de Melo*"},"content":{"rendered":"<p>A CUT e as demais centrais sindicais re\u00fanem-se nesta quarta-feira, dia 15 de janeiro, com um grande desafio: definir efetivamente estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es, num ano cheio de obst\u00e1culos, para que produza conquistas e avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pauta da classe trabalhadora. No meu entender uma verdadeira campanha nacional unificada.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas quest\u00f5es a serem superadas. A primeira ser\u00e1 estabelecer uma agenda que v\u00e1 al\u00e9m das interlocu\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es apenas em torno do governo federal, mas que seja ampla, prevendo e envolvendo nas negocia\u00e7\u00f5es outras esferas do poder (Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio), e o setor patronal. A segunda quest\u00e3o ser\u00e1 construir, acima de tudo, um movimento forte de car\u00e1ter sindical, capaz de aglutinar as lutas da classe trabalhadora, sem se deixar influenciar e prejudicar pela disputa e divis\u00e3o pol\u00edticas em ano de elei\u00e7\u00f5es. Mais do que nunca as entidades sindicais precisar\u00e3o sindicatear, unificando os trabalhadores, independentemente de tend\u00eancias pol\u00edtico-partid\u00e1rias e dos interesses eleitorais, em torno das lutas essenciais pela a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rio, na cidade e no campo, no servi\u00e7o p\u00fablico e na empresa privada.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio de eventos de 2014 \u00e9 especialmente um dificultador de unifica\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00f5es sindicais. A Copa do Mundo no Brasil transformar\u00e1 a na\u00e7\u00e3o em torcida de futebol no segundo trimestre, concentrando as aten\u00e7\u00f5es gerais em torno da sele\u00e7\u00e3o brasileira e diluindo temporariamente outras atividades. O movimento sindical, entretanto, n\u00e3o pode se descuidar. Al\u00e9m de cobrar condi\u00e7\u00f5es de trabalho adequadas nas obras realizadas por causa da Copa, as centrais devem exigir dos poderes p\u00fablicos a continuidade de fortes investimentos iniciados com a realiza\u00e7\u00e3o do evento, especialmente em mobilidade urbana, para que atendam os interesses dos setores mais necessitados da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, gerando empregos e melhorando a qualidade de vida de todos.<\/p>\n<p>Neste ano, teremos tamb\u00e9m elei\u00e7\u00f5es gerais para presidente e governadores e para senadores e deputados federais e estaduais. As disputas eleitorais acirram os debates em torno de projetos pol\u00edticos divergentes e at\u00e9 antag\u00f4nicos, fracionando a prefer\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o. As centrais sindicais podem e devem tomar posi\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 o fazem nesses per\u00edodos eleitorais, em rela\u00e7\u00e3o ao projeto de desenvolvimento e de sociedade que melhor atenda os interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Mas as centrais precisam, independentemente do projeto pol\u00edtico que vierem a apoiar no processo eleitoral, evitar que essas posi\u00e7\u00f5es contaminem a campanha sindical dos trabalhadores, afastando riscos para a unidade e enfraquecimento do movimento reivindicat\u00f3rio. \u00c9 certo que oportunistas n\u00e3o faltar\u00e3o para tentar usar os movimentos contra ou a favor deste ou daquele candidato ou mandat\u00e1rio. Barrar a possibilidade de a campanha sindical ser prejudicada por interesses eleitorais talvez seja o maior obst\u00e1culo das centrais nesse processo.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias e das a\u00e7\u00f5es \u00e9 urgente. O movimento das centrais n\u00e3o pode ficar limitado a negociar e a cobrar apenas do governo da presidenta Dilma o atendimento de uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, como o fim do famigerado fator previdenci\u00e1rio que abocanha parcela das aposentadorias, a institui\u00e7\u00e3o da jornada de 40 horas semanais, sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, mais investimentos p\u00fablicos em Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, o combate \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o e \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho e ao roubo de direitos (como proposto pelo PL 4330 e PLS 87), mais transporte p\u00fablico e de qualidade, reformas agr\u00e1ria e pol\u00edtica, regulamenta\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, direito de greve e de negocia\u00e7\u00f5es coletivas no servi\u00e7o p\u00fablico (Conven\u00e7\u00e3o 151 da OIT), a regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico e a democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Obviamente, uma iniciativa do governo federal, como apresenta\u00e7\u00e3o de projetos de lei e outras a\u00e7\u00f5es, \u00e9 sempre de grande import\u00e2ncia para o encaminhamento e a concretiza\u00e7\u00e3o dessas reivindica\u00e7\u00f5es. Contudo, ainda n\u00e3o vemos proposi\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00e3o e press\u00e3o com a mesma unidade e organiza\u00e7\u00e3o das centrais sobre outras esferas de poder. H\u00e1 necessidade de programar e promover negocia\u00e7\u00f5es com vigor tamb\u00e9m no Parlamento e nas lideran\u00e7as partid\u00e1rias, de onde partem os projetos contra direitos dos trabalhadores e por onde passar\u00e3o os projetos de interesse da nossa pauta.<\/p>\n<p>Igualmente h\u00e1 necessidade de enfrentar organizadamente as entidades patronais, como CNI, CNC, CNA e Fenaban, que t\u00eam patrocinado os projetos anti-trabalhadores, seus autores e apoiadores no Parlamento, e oferecido todo tipo de resist\u00eancia aos avan\u00e7os dos trabalhadores. \u00c9 preciso fazer o combate mais ferrenho e cobrar, com uma agenda de negocia\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m dos empres\u00e1rios e suas entidades nacionais a jornada de 40 horas, a reforma agr\u00e1ria, a reforma do sistema financeiro, com redu\u00e7\u00e3o de juros e tarifas e com aten\u00e7\u00e3o ao interesse social, o fim das metas, ass\u00e9dio moral e do trabalho prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Exemplo recente sobre a import\u00e2ncia e necessidade de uma agenda nessas esferas \u00e9 a campanha contra o PL 4330, um projeto de mini-reforma trabalhista e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, conhecido como o PL da escravid\u00e3o, de autoria do deputado e empres\u00e1rio Sandro Mabel (PMDB). Sua aprova\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi impedida, embora ainda n\u00e3o completamente, pela ampla mobiliza\u00e7\u00e3o sindical e press\u00e3o sobre o Congresso convocadas e promovidas especialmente pela CUT e tamb\u00e9m por outras centrais.<\/p>\n<p>Muitas das nossas reivindica\u00e7\u00f5es dependem dos poderes Executivo e Legislativo estaduais e municipais e tamb\u00e9m do Judici\u00e1rio. Isso torna necess\u00e1rio o estabelecimento de a\u00e7\u00f5es do movimento sindical tamb\u00e9m nesses n\u00edveis, com negocia\u00e7\u00f5es com governos e assembleias estaduais e com prefeituras e c\u00e2maras de vereadores. A pauta da classe trabalhadora s\u00f3 ser\u00e1 atendida com a fixa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas em \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte p\u00fablico nos Estados e Munic\u00edpios.<\/p>\n<p>O Judici\u00e1rio tamb\u00e9m precisa ser pressionado para agiliza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de interesse dos trabalhadores. Est\u00e1 parada, por exemplo, no STF a a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade movida pela CUT e Contag contra decreto do tucano FHC que retirou apoio do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o 158 da OIT, tratado que estabelece prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador contra a demiss\u00e3o imotivada.<\/p>\n<p>A CUT, mais do que qualquer outra central, sabe combinar negocia\u00e7\u00e3o com amplas mobiliza\u00e7\u00f5es de rua para defender a pauta da classe trabalhadora. Por isso, \u00e9 a maior central sindical do pa\u00eds e da Am\u00e9rica Latina e a quinta maior do mundo. Em 2014, certamente teremos muitos atos, manifesta\u00e7\u00f5es, protestos, paralisa\u00e7\u00f5es, passeatas em todos os estados do Pa\u00eds para barrar perdas de direitos e lutar por mais conquistas.<\/p>\n<p>Em 2014, por\u00e9m, a CUT tem responsabilidade, exatamente por ser a maior central, de tomar a iniciativa de fortalecer essa mobiliza\u00e7\u00e3o. Um grande passo ser\u00e1 propor a retomada do 1\u00ba de Maio unit\u00e1rio da classe trabalhadora. \u00c9 um grande momento para fazer da data um amplo e vigoroso dia nacional de luta em torno da pauta de reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em><strong>*Jacy Afonso de Melo \u00e9 Secret\u00e1rio de Organiza\u00e7\u00e3o e Pol\u00edtica Sindical da CUT<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Fonte: Cut Nacional<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CUT e as demais centrais sindicais re\u00fanem-se nesta quarta-feira, dia 15 de janeiro, com um grande desafio: definir efetivamente estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es, num ano cheio de obst\u00e1culos, para que produza conquistas e avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pauta da classe trabalhadora. No meu entender uma verdadeira campanha nacional unificada. H\u00e1 duas quest\u00f5es a serem superadas. 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