{"id":8793,"date":"2015-03-11T12:38:05","date_gmt":"2015-03-11T12:38:05","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=8793"},"modified":"2015-03-11T12:38:05","modified_gmt":"2015-03-11T12:38:05","slug":"o-maior-roubo-de-joias-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/a-criminalidade-pelo-brasil\/o-maior-roubo-de-joias-do-brasil","title":{"rendered":"\u00bb O MAIOR ROUBO DE JOIAS DO BRASIL"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Bandidos entram no setor de cofres particulares de uma ag\u00eancia do Ita\u00fa na Avenida Paulista e levam um tesouro em pedras preciosas, ouro e rel\u00f3gios avaliado em 100 milh\u00f5es de reais, no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Diamantes do tamanho de bolas de gude, esmeraldas raras, lingotes de ouro puro, colares cravejados de dezenas de rubis, cole\u00e7\u00f5es de rel\u00f3gios que custam mais do que um apartamento de luxo, ma\u00e7os de notas de 500 euros. Essa \u00e9 uma pequena fra\u00e7\u00e3o do invent\u00e1rio de perdas do maior roubo a cofres particulares j\u00e1 feito no Brasil. O crime ocorreu h\u00e1 duas semanas, no cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, mas o caso passou dias na penumbra. S\u00f3 na semana passada seus contornos come\u00e7aram a vir \u00e0 luz. A cada novo detalhe revelado, a trama torna-se mais surpreendente. O centro da a\u00e7\u00e3o foi o subsolo de uma ag\u00eancia do lta\u00fa localizada na Avenida Paulista, na esquina com a Rua Frei Caneca. L\u00e1, o banco mant\u00e9m uma caixa-forte com 2 500 cofres alugados a seus clientes vips. Para chegar at\u00e9 eles, \u00e9 preciso passar por guardas e por duas portas: uma gradeada e outra de a\u00e7o. O aparato de prote\u00e7\u00e3o conta com \u00e1reas vigiadas por c\u00e2meras e sensores de movimento. Trata-se, portanto, de um local de alt\u00edssima seguran\u00e7a. No entanto, \u00e0s 23h50 de 27 de agosto, um s\u00e1bado, doze homens uniformizados com jaleco cinza-claro invadiram o local sem disparar um s\u00f3 tiro. Arrombaram 138 cofres, pertencentes a 120 clientes. Dez horas depois, na manh\u00e3 de domingo, partiram com uma fortuna avaliada, por baixo, em 100 milh\u00f5es de reais. Nenhum alarme soou.<\/p>\n<p>Os bandidos entraram na ag\u00eancia gra\u00e7as a um disfarce: dois deles chegaram ao edif\u00edcio em um furg\u00e3o. Foram para a garagem. Desceram a rampa que d\u00e1 para o estacionamento e encontraram o vigia noturno. Vestidos com os jalecos, informaram que faziam parte de uma equipe de manuten\u00e7\u00e3o que trocaria alguns m\u00f3veis da ag\u00eancia. O vigia n\u00e3o desconfiou, pois a ag\u00eancia passava mesmo por um per\u00edodo de reformas e havia recebido um aviso sobre obras que seriam feiras naquela madrugada. Com a passagem liberada, os homens tomaram elevadores at\u00e9 o t\u00e9rreo. Na \u00e1rea principal da ag\u00eancia, dominaram o \u00fanico vigilante armado de plant\u00e3o. Sob a mira de pistolas, ele foi obrigado a fazer contato com a central de monitoramento e a recitar uma senha de seguran\u00e7a que autoriza o desligamento total dos alarmes. Em seguida, os bandidos fizeram com que o vigilante abrisse as portas que d\u00e3o para a Avenida Paulista. Mais dez homens entraram, enquanto outros cinco ficaram do lado de fora, para avisar o resto do bando de algum problema. Alguns se dirigiram \u00e0 garagem e descarregaram o furg\u00e3o. V\u00e1rias caixas de papel\u00e3o foram levadas para o setor de cofres. Nelas, havia in\u00fameras ferramentas, desde as mais simples, como arco de pua, p\u00e9 de cabra e mrreta, at\u00e9 equipamentos modernos, como uma furadeira magn\u00e9tica, capaz de varar a\u00e7o, uma serra sabre el\u00e9trica e um martelo eletropneum\u00e1tico, utilizado para demolir paredes. Com esse arsenal, foi f\u00e1cil alcan\u00e7ar o tesouro dos cofres. O vigia da noite e seu colega do turno da manh\u00e3, tamb\u00e9m rendido ao chegar ao trabalho, \u00e0s 6h45 do domingo, s\u00f3 puderam dar o alarme depois que a quadrilha havia sumido.<\/p>\n<p>Quando a not\u00edcia chegou \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Ita\u00fa, um gabinete de crise foi montado. Para a imagem de um banco, o roubo milion\u00e1rio de dezenas de cofres tem o mesmo impacto de uma queda de avi\u00e3o para uma companhia a\u00e9rea. Um grupo de quarenta gerentes recebeu ordens para deixar de lado suas atribui\u00e7\u00f5es habituais e dedicar-se a avisar pessoalmente os clientes de que seus cofres haviam sido roubados. \u00c9 uma tarefa delicada. Bancos garantem a seus clientes todos os valores depositados em contas-correntes ou aplicados em fundos . Roubos pela internet e em caixas eletr\u00f4nicos tamb\u00e9m s\u00e3o ressarcidos. Em rela\u00e7\u00e3o a cofres, a hist\u00f3ria \u00e9 outra. \u00c9 um sistema ultrapassado, em processo de extin\u00e7\u00e3o, em que nenhum cliente \u00e9 obrigado a declarar o conte\u00fado do que \u00e9 guardado. Por contrato, o Ita\u00fa garante o ressarcimento de 15 000 reais por cofre. Quem mant\u00e9m valores maiores pode adquirir uma ap\u00f3lice de seguro. At\u00e9 200 000 reais, \u00e9 poss\u00edvel fazer um seguro com o pr\u00f3prio Ita\u00fa. Se o valor superar esse montante, deve-se buscar outra seguradora. A maioria dos clientes, no entanto, n\u00e3o se preocupa com isso.<\/p>\n<p>Uma das v\u00edtimas que n\u00e3o tinham seguro \u00e9 Therezinha Maluf Chamma, de 82 anos, irm\u00e3 do ex-governador e atual deputado federal Paulo Maluf. Havia mais de trinta anos, ela alugava um cofre no Ita\u00fa onde guardava duas caixas: uma com suas joias e outra com as de suas duas filhas, Maria Tereza e Nelly. Tudo foi levado. &#8220;Perdi bens que ganhei do meu bisav\u00f4, av\u00f4, m\u00e3e, marido. Jamais conseguirei comprar pe\u00e7as compar\u00e1veis, elas nem s\u00e3o mais produzidas&#8221;, lamenta. Entre outras preciosidades, Therezinha tinha um colar de brilhantes da joalheria francesa Van Cleef &amp; Arpels e um anel cuja pedra de brilhante era do tamanho de uma cereja gra\u00fada. Especula-se que o preju\u00edzo da fam\u00edlia supere facilmente 1 milh\u00e3o de reais.<\/p>\n<p>As irm\u00e3s Vera L\u00facia Atallah Salem, Maria Cristina Atallah Gabriel e Rose May Atallah tamb\u00e9m est\u00e3o inconsol\u00e1veis. &#8220;Dias antes do roubo, fui viajar e, com medo de que minha casa fosse invadida, levei tudo para o nosso cofre. Deu no que deu&#8221;, ressente-se Rose May. Nervosa com as perdas, sua irm\u00e3 Vera L\u00facia, que sofre do cora\u00e7\u00e3o, teve de tomar rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>O dono de um conjunto de diamantes e rubis da joalheria americana Tiffany, lapidados na d\u00e9cada de 30, que inclu\u00eda gargantilha, bracelete, brincos, anel e alian\u00e7a, tamb\u00e9m precisou ser medicado ao saber que estava alguns milh\u00f5es de reais menos rico. Duas cole\u00e7\u00f5es de rel\u00f3gios Rolex desapareceram. Uma delas, com 110 pe\u00e7as hist\u00f3ricas, estava avaliada em<br \/>\n2 milh\u00f5es de reais. A outra contava com setenta rel\u00f3gios da marca mais cobi\u00e7ada pelos ricos brasileiros.<\/p>\n<p>Diante da dimens\u00e3o do roubo, era de esperar que a pol\u00edcia tivesse iniciado a investiga\u00e7\u00e3o imediatamente. N\u00e3o foi o que aconteceu, apesar de o Ita\u00fa ter acionado os policiais logo depois de ter recebido a not\u00edcia traum\u00e1tica. Ap\u00f3s o registro do boletim de ocorr\u00eancia e as provid\u00eancias de praxe (per\u00edcia fotogr\u00e1fica, recolhimento de impress\u00f5es digitais), o caso estranhamente hibernou. A Delegacia de Repress\u00e3o a Roubo a Bancos levou uma semana para come\u00e7ar a investigar o assalto, e s\u00f3 interrogou os vigias rendidos na \u00faltima quinta-feira, onze dias depois da invas\u00e3o do cofre. Perdeu-se, assim, a oportunidade de intensificar a investiga\u00e7\u00e3o nas primeiras 48 horas subsequentes ao crime, cruciais na coleta de evid\u00eancias. &#8220;Houve falhas operacionais. N\u00e3o foi notada a import\u00e2ncia da ocorr\u00eancia&#8221;, admite o delegado-geral, Marcos Carneiro. Essa \u00e9 uma vis\u00e3o, no m\u00ednimo, otimista. Quem conhece a pol\u00edcia sabe que, em casos dessa magnitude, os agentes costumam agir com rapidez. Se policiais demoram para tomar provid\u00eancias, \u00e9 um mau sinal. H\u00e1 o risco de que eles estejam interessados em chegar aos bandidos de forma &#8220;extra oficial&#8221;, para chantage\u00e1-los e ficar com parte do que foi roubado. A pol\u00edcia de S\u00e3o Paulo tem antecedentes. Alguns de seus integrantes extorquiram os megatraficantes colombianos Juan Carlos Abad\u00eda e Ram\u00f3n Manuel Penagos, conhecido como EI Negro. Tamb\u00e9m tomaram uma pequena fortuna de bandidos envolvidos em roubos a banco nos \u00faltimos anos. \u00c9 preciso apurar se essa vergonha se repetiu. \u00c9 o que o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do estado, Antonio Ferreira Pinto, est\u00e1 fazendo com a presteza habitual.<\/p>\n<p>Como os bandidos tiveram uma semana de dianteira, pode ser que muitas das joias roubadas tenham sido derretidas ou contrabandeadas para fora do pa\u00eds. A miss\u00e3o imediata \u00e9 encontrar os autores do crime. Essa tarefa ser\u00e1 poss\u00edvel gra\u00e7as ao \u00fanico deslize cometido pelos ladr\u00f5es: eles destru\u00edram boa parte das c\u00e2meras de v\u00eddeo do circuito interno de grava\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia e desligaram outras, mas alguns dos equipamentos passaram despercebidos. Com isso, foi poss\u00edvel obter imagens do rosto dos doze assaltantes que entraram no edif\u00edcio. Boa parte deles est\u00e1 prestes a ser identificada \u2013 suas fei\u00e7\u00f5es estavam em arquivos da pol\u00edcia e de empresas de seguran\u00e7a privada porque eles j\u00e1 haviam participado de roubos a banco. Durante a an\u00e1lise das faces, uma hip\u00f3tese se formou e ganhou peso: \u00e9 alta a probabilidade de que o n\u00facleo duro da quadrilha que invadiu o Ita\u00fa seja o mesmo que planejou e executou, h\u00e1 seis anos, o assalto ao cofre-forte do Banco Central, em Fortaleza, no qual foram roubados 164 milh\u00f5es de reais, no maior crime desse tipo cometido na hist\u00f3ria do pa\u00eds \u2013 pelo menos, at\u00e9 agora. Isso teria sido poss\u00edvel gra\u00e7as a um dos muitos absurdos brasileiros: dos 125 envolvidos naquele roubo, cinco est\u00e3o foragidos e 81, incluindo os que ajudaram a lavar o dinheiro, est\u00e3o em liberdade. O crime do Banco Central de Fortaleza virou filme.<\/p>\n<p>S\u00f3 nos seis primeiros meses do ano, 239 ag\u00eancias banc\u00e1rias foram assaltadas, com perda de 31 milh\u00f5es de reais. Se, de fato, foi a mesma quadrilha que assaltou o Ita\u00fa, cabe \u00e0 policia paulista fazer com que uma eventual sequ\u00eancia cinematogr\u00e1fica termine com os bandidos&#8221; na cadeia. Seria um primeiro sinal de rea\u00e7\u00e3o contra o crime organizado e especializado em atacar bancos.<\/p>\n<p>Com reportagem de Adriana Dias Lopes, Andr\u00e9 Eler, Giuliana Bergamo, Jo\u00e3o Batista Jr, Kalleo Coura e Laura Diniz<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fonte: Veja<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bandidos entram no setor de cofres particulares de uma ag\u00eancia do Ita\u00fa na Avenida Paulista e levam um tesouro em pedras preciosas, ouro e rel\u00f3gios avaliado em 100 milh\u00f5es de reais, no m\u00ednimo. 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