{"id":9348,"date":"2015-03-16T14:25:36","date_gmt":"2015-03-16T14:25:36","guid":{"rendered":"http:\/\/sindvalores.com.br\/site\/?p=9348"},"modified":"2015-03-16T14:25:36","modified_gmt":"2015-03-16T14:25:36","slug":"inseguranca-aterroriza-populacao-de-sao-goncalo-do-amarante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindvalores.com.br\/site\/institucional\/a-criminalidade-pelo-brasil\/inseguranca-aterroriza-populacao-de-sao-goncalo-do-amarante","title":{"rendered":"\u00bb Inseguran\u00e7a aterroriza popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>&#8220;Pensei que fosse passar toda a minha vida aqui. Hoje, se vier dormir, amanhe\u00e7o morto&#8221;. O desabafo \u00e9 do agropecuarista Miguel Noronha, de 67 anos, que se viu obrigado a deixar a sua propriedade em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante, Regi\u00e3o Metropolitana, ap\u00f3s constantes assaltos. Quantas vezes \u00e9 necess\u00e1rio ser v\u00edtima de um roubo para que o fato chame aten\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia? Para Miguel Noronha, trinta e seis vezes n\u00e3o foram suficientes. A recorr\u00eancia dos crimes indigna o agropecuarista e reflete a inseguran\u00e7a constatada na cidade. Hoje, diante da inefici\u00eancia da investiga\u00e7\u00e3o e patrulhamento, o homem j\u00e1 deixou de registrar boletins de ocorr\u00eancias. A sua &#8220;cole\u00e7\u00e3o&#8221; de 28 BOs parece n\u00e3o surtir efeito.<\/p>\n<p>A propriedade representava o sonho de Miguel em deixar a cidade e viver na tranquilidade do isolamento. H\u00e1 43 anos, quando deixou a casa em Natal para morar em S\u00e3o Gon\u00e7alo, o agropecuarista viu tornar realidade o objetivo e passou a criar gado e processar frutas. O ano de 2011, no entanto, representou a derrocada dos objetivos e a obriga\u00e7\u00e3o de se cercar de paredes altas para se proteger. Ap\u00f3s arrast\u00f5es, assaltos e furtos, mudou-se para um pr\u00e9dio no bairro de Petr\u00f3polis, zona Leste de Natal.<\/p>\n<p>Os boletins de ocorr\u00eancia cobrem a mesa da sala de jantar e atormentam o pensamento de Miguel. A casa hoje est\u00e1 abandonada depois de diversas tentativas fracassadas de lutar contra a crescente onda de viol\u00eancia. Ontem, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no local. A sa\u00edda mais recente escolhida pelo propriet\u00e1rio foi eletrificar grades, port\u00f5es, janelas e trincos de porta de forma artesanal.<\/p>\n<p>De acordo com o depoimento de Miguel Noronha, as a\u00e7\u00f5es tiveram in\u00edcio em mar\u00e7o de 2011, quando a fam\u00edlia foi v\u00edtima de um arrast\u00e3o. &#8220;Quatro homens renderam o caseiro e nos trancaram no quarto. Levaram tudo o que podiam. Televis\u00f5es, computadores, joias&#8221;, relata Miguel.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o arrast\u00e3o, a fam\u00edlia decidiu se mudar para Natal, deixando seguran\u00e7as contratados para vigiar o local. &#8220;Nenhum vigia ficava mais de dois dias, porque via que a\u00e7\u00e3o dos bandidos era intensa e temia pela vida&#8221;. Depois do arrast\u00e3o em mar\u00e7o, a casa foi invadida outras 35 vezes, tendo sido 28 delas registradas na delegacia da cidade.<\/p>\n<p>Em cada oportunidade, os bandidos levam algo que lhes interesse. Ultimamente, com a escassez de &#8220;produtos&#8221;, todo o tipo de cobre ou alum\u00ednio encontrados em abajures, por exemplo, t\u00eam sumido da casa. &#8220;Eles trocam por droga aqui perto mesmo, em uma boca de fumo. J\u00e1 disse at\u00e9 o nome e o endere\u00e7o deles, mas a pol\u00edcia prefere n\u00e3o escutar&#8221;.<\/p>\n<p>Andar pela resid\u00eancia d\u00e1 a impress\u00e3o de 10 anos de abandono. Portas quebradas, grades arrancadas, paredes destru\u00eddas. Piscina seca e suja, ferros retorcidos e a poeira cobre o local. O pouco que sobrou est\u00e1 protegido por barras ou arames eletrificados. &#8220;\u00c9 a \u00fanica coisa que posso fazer&#8221;, lamenta Miguel Noronha.<\/p>\n<p>Ele reclama da inefici\u00eancia da Pol\u00edcia Civil e da aus\u00eancia da Pol\u00edcia Militar. &#8220;N\u00e3o vou mais \u00e0 delegacia porque sou mal recebido e n\u00e3o resulta em nada. O delegado parece que tem m\u00e1 vontade. Qualquer investiga\u00e7\u00e3ozinha j\u00e1 teria dado resultado aqui&#8221;, protesta.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a visita da equipe de reportagem \u00e9 cercada por receio, dada a ousadia dos ladr\u00f5es em agir a qualquer hora do dia.<\/p>\n<p>Crimes se espalham pela cidade<\/p>\n<p>A realidade de inseguran\u00e7a constatada na propriedade de Miguel Noronha n\u00e3o \u00e9 exclusividade dele. Uma r\u00e1pida caminhada pela vizinhan\u00e7a e por outras localidades da cidade \u00e9 suficiente para perceber que o crime est\u00e1 espalhado por S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante. Mercadinhos, lojas de refrigera\u00e7\u00e3o e outras casas j\u00e1 foram invadidas e assaltadas. A grande atividade relacionada ao tr\u00e1fico de drogas tamb\u00e9m j\u00e1 deixou muitas pessoas assassinadas. Em 2011, foram 48 homic\u00eddios, dos quais apenas quatro v\u00edtimas n\u00e3o tinham antecedentes criminais que as ligassem ao tr\u00e1fico &#8211; de acordo com dados da delegacia de Pol\u00edcia Civil da cidade.<\/p>\n<p>A ousadia j\u00e1 deixou a comerciante Alba Barbosa, 44 anos, no preju\u00edzo. Propriet\u00e1ria de um mercadinho na regi\u00e3o do Regomoleiro, ela viu a parede do seu estabelecimento ser quebrada para a realiza\u00e7\u00e3o de um roubo. &#8220;Onde vamos chegar com isso? Eles quebraram a parede para invadir e disso eu n\u00e3o tenho como me proteger&#8221;, exclamou a comerciante.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio agora s\u00f3 funciona atrav\u00e9s de uma grade, de onde os produtos s\u00e3o comercializados. A cozinheira Br\u00edgida Concei\u00e7\u00e3o, 50 anos, foi v\u00edtima de dois assaltos e coleciona hist\u00f3rias de parentes e vizinhos na mesma situa\u00e7\u00e3o. Ela chama aten\u00e7\u00e3o para uma conseq\u00fc\u00eancia do \u00edndice de viol\u00eancia. &#8220;Para se ter uma ideia, tem certas paradas aqui que \u00f4nibus e alternativos n\u00e3o param, porque sabem que ser\u00e3o assaltados&#8221;.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo a propriedade de Miguel Noronha, outras v\u00edtimas de roubos s\u00e3o encontradas. Em 2011, todos os produtos de trabalho do marido da dona de casa Josilene Felix Souza, 29 anos, foram roubados. O homem trabalha com consertos de geladeira e, enquanto esteve fora de casa para assistir a uma apresenta\u00e7\u00e3o na cidade, teve os equipamentos levados. O casal, que tem cinco filhos e depende da renda do marido, agora se vira para sobreviver. &#8220;A sorte \u00e9 que o meu marido conhece muita gente no mesmo ramo e outras pessoas emprestaram equipamentos para ele continuar trabalhando&#8221;, disse Josilene.<\/p>\n<p>Pol\u00edcia planeja opera\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar est\u00e1 planejando a realiza\u00e7\u00e3o de uma opera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante. O assunto ainda est\u00e1 na mesa de reuni\u00f5es do Comando da PM, mas pode ocorrer ainda em janeiro. A for\u00e7a-tarefa para o combate ao tr\u00e1fico de drogas e ao roubo de ve\u00edculos se transformou em preocupa\u00e7\u00e3o dado os recorrentes casos constatados. A informa\u00e7\u00e3o foi repassada ontem pelo comandante-geral do policiamento metropolitano, coronel Wellington Alves.<\/p>\n<p>O planejamento da opera\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi finalizado e deve ser definido em reuni\u00f5es futuras junto ao comando-geral. Outros detalhes n\u00e3o foram repassados.<\/p>\n<p>Para o coronel Alves, o comando metropolitano tem correspondido sempre que a Companhia da Pol\u00edcia Militar, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, pede por refor\u00e7o. &#8220;Correspondemos sempre. Al\u00e9m disso, for\u00e7as como o Batalh\u00e3o de choque, a Rocam e a Cavalaria agem em toda a regi\u00e3o metropolitana e prestam esse refor\u00e7o&#8221;, informou.<\/p>\n<p>Prefeitura quer batalh\u00e3o e nova delegacia<\/p>\n<p>O prefeito de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante, Jaime Calado, luta pela instala\u00e7\u00e3o de um batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar e uma nova delegacia da Pol\u00edcia Civil na cidade. Segundo ele, contatos j\u00e1 foram realizados junto a Secretaria de Seguran\u00e7a do Estado. &#8220;J\u00e1 falei com o comando da PM e com o secret\u00e1rio. Informei que j\u00e1 temos um terreno para a constru\u00e7\u00e3o de um batalh\u00e3o e de uma nova delegacia. O refor\u00e7o \u00e9 necess\u00e1rio&#8221;, afirmou em entrevista na tarde de ontem.<\/p>\n<p>O terreno que fica localizado a 200 metros da prefeitura e a cerca de dois quil\u00f4metros do novo aeroporto que ser\u00e1 constru\u00eddo na cidade. &#8220;As autoridades de seguran\u00e7a consideram pertinente essa discuss\u00e3o sobre o refor\u00e7o em S\u00e3o Gon\u00e7alo. Garantiram que est\u00e3o lutando por isso junto \u00e0 governadora Rosalba Ciarlini&#8221;, refor\u00e7ou Calado.<\/p>\n<p>Para o prefeito, apesar das dificuldades enfrentadas pela seguran\u00e7a p\u00fablica nacionalmente, S\u00e3o Gon\u00e7alo tem melhorado nesse ponto nos \u00faltimos tr\u00eas anos. &#8220;A seguran\u00e7a \u00e9 um problema nacional, que se agrava na periferia. Mas acredito que a seguran\u00e7a tem melhorado nos \u00faltimos tr\u00eas anos, com trabalhos integrados com a Pol\u00edcia Militar&#8221;.<\/p>\n<p>Bate-papo<\/p>\n<p>\u00bbDelegado Adson Maia, titular da Delegacia de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante<\/p>\n<p>O senhor conhece o caso de Miguel Noronha, que registrou quase trinta boletins de ocorr\u00eancia sobre casos de assaltos na sua propriedade em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante?<\/p>\n<p>Esse caso j\u00e1 foi resolvido. Prendemos assaltantes em flagrante ap\u00f3s a investiga\u00e7\u00e3o. Se eles foram soltos depois, isso \u00e9 um problema com a Justi\u00e7a, n\u00e3o com o delegado. O nosso papel foi feito. A granja n\u00e3o tem seguran\u00e7a nenhuma e por isso os casos s\u00e3o recorrentes.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a \u00e9 uma realidade em S\u00e3o Gon\u00e7alo?<\/p>\n<p>S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante \u00e9 uma cidade muito perigosa e que tem muitos criminosos. Mas as estat\u00edsticas mostram que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente de locais perif\u00e9ricos ou outras cidades da Grande Natal, como Parnamirim. O problema \u00e9 que a criminalidade vem aumentando e a nossa estrutura \u00e9 a mesma h\u00e1 10 anos. Diria at\u00e9 que diminuiu.<\/p>\n<p>A estrutura diminuiu ap\u00f3s o aumento da demanda?<\/p>\n<p>J\u00e1 chegamos a ter dois delegados aqui, hoje eu estou s\u00f3. Para atender a nossa demanda, precisamos de uma estrutura dobrada. E isso j\u00e1 est\u00e1 sendo encaminhado. Fa\u00e7o parte do Conselho Superior da Pol\u00edcia e j\u00e1 planejamos uma segunda delegacia em S\u00e3o Gon\u00e7alo.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da delegacia resolveria os problemas de inseguran\u00e7a da cidade?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a delegacia, mas toda a estrutura envolvida. Tem que ter pessoal para ocupar a delegacia e n\u00e3o dividir o existente. S\u00e3o Gon\u00e7alo tem uma extensa \u00e1rea rural que acaba abrigando bandidos de todas as regi\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p>Qual o papel da Pol\u00edcia Militar na quest\u00e3o da inseguran\u00e7a?<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar tem um efetivo reduzido aqui e isso com certeza interfere na quantidade de crimes registrados. Com a chegado do aeroporto, acredito que a companhia da PM deva se transformar em um batalh\u00e3o, com refor\u00e7o de efetivo.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fonte: Tribuna do Norte RN<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Pensei que fosse passar toda a minha vida aqui. Hoje, se vier dormir, amanhe\u00e7o morto&#8221;. O desabafo \u00e9 do agropecuarista Miguel Noronha, de 67 anos, que se viu obrigado a deixar a sua propriedade em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante, Regi\u00e3o Metropolitana, ap\u00f3s constantes assaltos. 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